- O enviado da UE para o Sahel admite que Bruxelas interpretou mal a dinâmica da região e que as estratégias militares e diplomacia unidirecional abalaram a influência europeia, à medida que a Rússia e a China ganham terreno.
- Cravinho diz que a UE tem vindo a construir pontes com regimes liderados por juntas para recuperar credibilidade perante a Rússia, e reconhece que as relações melhoraram desde o início do mandato dele, em novembro de 2024.
- Os comentários surgem após ataques coordenados de grupos separatistas e jihadistas no Mali, que ajudaram a violar a segurança e levaram o ministro da Defesa a morrer; o Mali pediu aos cidadãos franceses que abandonassem o país.
- Cravinho afirma que não há solução militar para o Sahel como um todo e que a Rússia oferece apoio militar sem revelar outras opções, destacando a necessidade de reavaliações por parte dos malianos.
- A UE lançou, em dezembro de 2025, uma nova estratégia para o Sahel, priorizando segurança humana e prosperidade socioeconómica, reconhecendo que a Europa não tem o monopólio da região e que o foco é manter-se como parceiro relevante.
A União Europeia admite ter falhado em ouvir os Estados do Sahel e admite que a percepção de interlocutor único foi incorreta. O enviado da UE para a região, João Cravinho, reconhece que estratégias militares e diplomáticas unidirecionais minaram a influência europeia.
Cravinho disse ao Europe Today que Bruxelas tem de explicar melhor os seus interesses no Sahel e que o diálogo tem vindo a melhorar desde o início do seu mandato, em novembro de 2024. O responsável aponta pontes com regimes sob juntas como sinal de mudança.
Dias antes, ataques coordenados de grupos separatistas e jihadistas no Mali aumentaram o controlo de zonas do norte e resultaram na morte do ministro da Defesa do Mali. O Ministério francês dos Negócios Estrangeiros pediu aos cidadãos para abandonarem o país.
O líder militar Assimi Goïta afirma que a ameaça será neutralizada, enquanto a Rússia sustenta que as suas forças paramilitares apoiam os militares malianos e impediram um golpe. Cravinho descreve a situação como terrível para a população.
Cravinho alerta que o incident violento pode repetir-se e que não existe solução apenas com meios militares. Segundo ele, os russos oferecem apoio militar sem alternativas políticas adicionais.
A Europa não tem o monopólio
A credibilidade europeia no Sahel enfraquece à medida que Rússia, China e Irão ganham terreno, e as missões ocidentais reduzem-se. França retirou tropas do Mali em 2022, contribuindo para o recuo europeu.
Cravinho sustenta que a UE não é o único interveniente, mas que nenhum outro ator tem o mesmo interesse direto na região. A nova estratégia da UE para o Sahel, de dezembro de 2025, foca segurança humana e prosperidade.
A estratégia reforça a luta antiterrorista e o combate à migração para o Norte de África e o Mediterrâneo. Cravinho admite uma margem de manobra limitada, dada a geopolítica envolvente.
Segundo o responsável, a Europa prepara-se para uma maior intervenção, reconhecendo que o Sahel é estratégico e que as oportunidades surgirão quando a UE manter o papel de melhor parceira para estes países.
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