Em Alta futeboldesportoPortugalinternacionaisgoverno

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

UE não ouve Sahel à medida que influência diminui, admite Cravinho

Cravinho admite falhas da UE no Sahel: não soube ouvir nem explicar interesses; a UE tenta agora construir pontes com regimes sob juntas, perante a ascensão da influência russa e chinesa

João Cravinho, Representante Especial da UE para a região do Sahel
0:00
Carregando...
0:00
  • O enviado da UE para o Sahel admite que Bruxelas interpretou mal a dinâmica da região e que as estratégias militares e diplomacia unidirecional abalaram a influência europeia, à medida que a Rússia e a China ganham terreno.
  • Cravinho diz que a UE tem vindo a construir pontes com regimes liderados por juntas para recuperar credibilidade perante a Rússia, e reconhece que as relações melhoraram desde o início do mandato dele, em novembro de 2024.
  • Os comentários surgem após ataques coordenados de grupos separatistas e jihadistas no Mali, que ajudaram a violar a segurança e levaram o ministro da Defesa a morrer; o Mali pediu aos cidadãos franceses que abandonassem o país.
  • Cravinho afirma que não há solução militar para o Sahel como um todo e que a Rússia oferece apoio militar sem revelar outras opções, destacando a necessidade de reavaliações por parte dos malianos.
  • A UE lançou, em dezembro de 2025, uma nova estratégia para o Sahel, priorizando segurança humana e prosperidade socioeconómica, reconhecendo que a Europa não tem o monopólio da região e que o foco é manter-se como parceiro relevante.

A União Europeia admite ter falhado em ouvir os Estados do Sahel e admite que a percepção de interlocutor único foi incorreta. O enviado da UE para a região, João Cravinho, reconhece que estratégias militares e diplomáticas unidirecionais minaram a influência europeia.

Cravinho disse ao Europe Today que Bruxelas tem de explicar melhor os seus interesses no Sahel e que o diálogo tem vindo a melhorar desde o início do seu mandato, em novembro de 2024. O responsável aponta pontes com regimes sob juntas como sinal de mudança.

Dias antes, ataques coordenados de grupos separatistas e jihadistas no Mali aumentaram o controlo de zonas do norte e resultaram na morte do ministro da Defesa do Mali. O Ministério francês dos Negócios Estrangeiros pediu aos cidadãos para abandonarem o país.

O líder militar Assimi Goïta afirma que a ameaça será neutralizada, enquanto a Rússia sustenta que as suas forças paramilitares apoiam os militares malianos e impediram um golpe. Cravinho descreve a situação como terrível para a população.

Cravinho alerta que o incident violento pode repetir-se e que não existe solução apenas com meios militares. Segundo ele, os russos oferecem apoio militar sem alternativas políticas adicionais.

A Europa não tem o monopólio

A credibilidade europeia no Sahel enfraquece à medida que Rússia, China e Irão ganham terreno, e as missões ocidentais reduzem-se. França retirou tropas do Mali em 2022, contribuindo para o recuo europeu.

Cravinho sustenta que a UE não é o único interveniente, mas que nenhum outro ator tem o mesmo interesse direto na região. A nova estratégia da UE para o Sahel, de dezembro de 2025, foca segurança humana e prosperidade.

A estratégia reforça a luta antiterrorista e o combate à migração para o Norte de África e o Mediterrâneo. Cravinho admite uma margem de manobra limitada, dada a geopolítica envolvente.

Segundo o responsável, a Europa prepara-se para uma maior intervenção, reconhecendo que o Sahel é estratégico e que as oportunidades surgirão quando a UE manter o papel de melhor parceira para estes países.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais