- Em 2025, Portugal e a Europa enfrentaram extremos climáticos: chuvas intensas na Primavera seguidas de calor e seca no Verão, num contexto de aquecimento continental mais rápido que a média global.
- Pelo menos 95 por cento do território europeu registou temperaturas acima da média, com Portugal entre as regiões mais afetadas, segundo o Centro Copérnico (C3S) e o ECMWF e a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
- O Verão de 2025 evidenciou a aceleração dos extremos climáticos, com mais dias de stress térmico em Portugal e impactos na saúde pública.
- A Primavera chuvosa na Península Ibérica aumentou a vegetação que secou no Verão, alimentando incêndios; a área ardida europeia ultrapassou 1,034 milhões de hectares, com Portugal a queimar cerca de 265.139 hectares até agosto.
- O relatório alerta para impactos na água, biodiversidade e economia costeira; apesar das renováveis representarem 46,4 por cento da eletricidade europeia em 2025, mitigação e adaptação continuam desalinhadas, levantando a questão de estar Portugal a adaptar-se à velocidade certa.
O relatório Estado do Clima na Europa 2025, elaborado pelo Centro Copérnico para as Alterações Climáticas (C3S) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), acusa a Europa de sofrer o aquecimento mais rápido desde 1980. Portugal aparece entre os territórios mais expostos aos impactos.
Em Portugal, 2025 mostrou uma combinação de precipitação extrema na Primavera com calor e seca acentuados no Verão. O documento sublinha que o continente aquece cerca de duas vezes acima da média global, com o Sul da Europa a sentir efeitos intensos.
Contexto climático europeu
Segundo os autores, 95% do território europeu registou temperaturas acima da média em 2025. A responsável pelo clima no ECMWF afirma não haver margem para leituras otimistas, e vinca que as alterações climáticas afetam o Sul da Europa de forma acentuada.
A responsável portuguesa destaca que o país encarna os impactos da região mediterrânica, onde o calor extremo, a seca e os incêndios florestais são fenómenos recorrentes. Não se trata de uma exceção national, mas de uma tendência regional.
Verão de maior risco e seca
O Verão de 2025 ficou marcado pela destabilização de padrões climáticos. O director do C3S descreve o período como um veraneio que deixou de o ser, sinalizando uma escalada mais rápida da subida de temperaturas e da duração de episódios de calor extremo.
Em Portugal, houve aumento de dias com stress térmico, quando a temperatura percepcionada excede os 32ºC. Este indicador está ligado a impactos na saúde de populações vulneráveis.
Precipitação e vegetação como combustível
A Primavera foi especialmente chuvosa na Península Ibérica, com Portugal a registar 229% da média de março, e Espanha acima de 250%. Embora tenha-alivado a seca hidrológica, a chuva intensa gerou vegetação abundante, que pode tornar-se combustível para incêndios.
Especialistas apontam para uma transição rápida de períodos húmidos para Verões quentes e secos, favorecendo o crescimentos rápidos da biomassa e a sua desidratação subsequente.
Incêndios e área ardida na Europa
Em 2025, a área ardida na Europa ultrapassou 1,034 milhões de hectares, o maior valor registado. Portugal e Espanha responderam por cerca de 65% do total. Em Portugal, até ao final de agosto arderam cerca de 265 mil hectares, um recorde para o país.
O documento associa o recorde à junção de ondas de calor, seca estival e padrões atmosféricos persistentes, ingredientes que tendem a tornar-se mais frequentes com o aquecimento global. Espanha lidera em emissões de fogo na Europa nesse ano.
Riscos hídricos e oceânicos
Embora 70% dos rios europeus tenham registado caudais abaixo da média, a Península Ibérica assistiu a cheias na Primavera e novos eventos de inundação no Outono, associados a Claudia, a tempestade de novembro. Extremos hidrológicos mostram-se mais frequentes e menos previsíveis.
No Atlântico, 86% da região oceânica europeia viveu pelo menos uma onda de calor marinha intensa em 2025. O Mediterrâneo manteve a temperatura média anual elevada pela terceira vez consecutiva, com a totalidade da bacia afetada por ondas de calor marítimas.
Desafios de adaptação
Mesmo com a expansão das energias renováveis, o relatório indica que mitigação e adaptação não estão suficientemente alinhadas. As alterações climáticas deixam de ser uma ameaça futura e passam a ser uma realidade presente para o território.
Portugal continua entre os países mais vulneráveis aos impactos climáticos, com efeitos visíveis na biodiversidade, na pesca e na economia costeira. Aanalistas destacam a necessidade de políticas de adaptação rápidas e eficazes.
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