- Cientistas desenvolveram a FaceAge, uma ferramenta de IA que analisa alterações na aparência facial ao longo do tempo para ajudar a prever a evolução do cancro.
- O estudo, conduzido no Mass General Brigham, nos Estados Unidos, acompanhou 2.276 doentes com vários tipos de cancro que receberam pelo menos dois ciclos de radioterapia entre 2012 e 2023.
- A Face Aging Rate (FAR) mede o envelhecimento facial a partir de fotografias rotineiras e pode funcionar como biomarcador não invasivo do prognóstico, associando envelhecimento mais rápido a menor sobrevivência.
- Os resultados mostraram que, em média, o envelhecimento facial dos pacientes é cerca de 40% mais rápido que a idade cronológica, com maior prognóstico de pior sobrevivência quando as imagens eram obtidas com mais de dois anos de intervalo.
- A equipa também calculou a FaceAge Deviation (FAD); combinar FAR com FAD pode fornecer uma leitura mais detalhada da evolução da doença, e existe um portal público onde pessoas podem enviar fotografias para receber uma avaliação FaceAge.
O FaceAge, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida por cientistas do Mass General Brigham, analisa alterações na aparência facial ao longo do tempo para estimar a evolução do cancro. A técnica utiliza fotografias simples para medir a idade biológica, distinta da idade cronológica, e busca compreender como os tumores respondem a tratamentos.
Num estudo recente, os investigadores avaliaram 2 276 doentes com vários tipos de cancro que passaram por pelo menos dois ciclos de radioterapia no Brigham and Women’s Hospital entre 2012 e 2023. As imagens foram obtidas durante procedimentos clínicos rotineiros.
O método, designado FaceAge, centra-se na Face Aging Rate FAR, que quantifica o envelhecimento facial ao longo do tempo através de várias fotografias. A equipa mostrou que o FAR pode atuar como biomarcador não invasivo do prognóstico oncológico.
A análise revelou que o envelhecimento facial dos doentes é, em média, 40% mais rápido do que a progressão da idade cronológica. Um FAR mais elevado correlacionou-se com taxas de sobrevivência menores, especialmente quando as fotos tinham intervalos superiores a dois anos.
Os autores destacam que medir o FaceAge ao longo do tempo pode ajudar a personalizar tratamentos, informar melhor os doentes e orientar a frequência de seguimento oncológico. O estudo também introduziu a FaceAge Deviation FAD, que compara a idade facial com a cronológica numa única foto.
Conclui-se que o FAR, particularmente quando acompanhado do FAD, oferece uma medida mais precisa da evolução da saúde, com medições dinâmicas ao longo do tempo a demonstrar maior fiabilidade do que leituras isoladas.
Resultados e perspetivas
A equipa defende que monitorizar o FaceAge por meio de fotografias simples é um biomarcador de baixo custo e potencial para informar pacientes sobre o estado de saúde. O objetivo é ampliar a investigação para outras doenças crónicas e para a população saudável.
Além disso, o estudo disponibiliza um portal na Internet onde o público pode enviar uma foto do rosto para obter uma avaliação FaceAge, contribuindo para a investigação em curso. As informações e creditações procedem de fontes académicas, sem divulgação de dados de contacto de outros portais.
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