- António Costa defendeu que o direito internacional deve prevalecer sobre a lógica da força para responder à desordem crescente nas relações internacionais.
- Apontou duas tendências: erosão da ordem internacional desde o fim da II Guerra Mundial e um mundo cada vez mais multipolar, com mais economias emergentes e países de média dimensão a ganharem peso.
- Propôs uma estratégia europeia com cinco eixos — princípios, paz, prosperidade, parcerias e poder — para apoiar uma ordem internacional baseada em regras e na Carta das Nações Unidas.
- Observou que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas não acompanha a realidade atual, defendendo reformas sem substituir a ONU, e alertando para conflitos que ameaçam paz e prosperidade.
- Reforçou a necessidade de uma transição energética europeia para reduzir dependências, descarbonizar e fortalecer cadeias de abastecimento; ao início do discurso, houve uma gafe ao dizer “vinho” em vez de Minho, que foi corrigida, sublinhando a ligação entre saber académico e vinho português.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu que é essencial valorizar o direito internacional em vez da força para responder à crescente desordem nas relações internacionais. O objetivo é manter a cooperação entre Estados com base em regras e na Carta das Nações Unidas.
Costa avisou que o mundo está cada vez mais multipolar e que ocorre uma violação da ordem internacional desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em Braga, durante a sessão de abertura dos XLVII Colóquios de Relações Internacionais da Universidade do Minho, assinalou esse desafio para a União Europeia.
O líder europeu apresentou cinco eixos para a estratégia europeia: princípios, paz, prosperidade, parcerias e poder. Defendeu apoiar uma ordem internacional baseada em regras, salvaguardar a soberania e promover a resolução pacífica de conflitos.
Sobre o Conselho de Segurança da ONU, Costa reconheceu que já não reflete a realidade atual, mas ressaltou que reformar não implica eliminar. Indicou que o caos gera mais violência, citando conflitos na Ucrânia, no Médio Oriente, em Gaza e no Sudão.
Relançando a importância do direito internacional, Costa afirmou que a paz e a prosperidade dependem de um mundo cooperativo e previsível. Garantiu que a paz faz parte do ADN da União Europeia e reiterou a necessidade de uma transição energética para reduzir dependências.
Mundo multipolar
Costa destacou que não se pode moldar o mundo segundo uma única potência nem dividir o globo em esferas de influência. O atual contexto exige soluções multilaterais e parcerias estratégicas, com a Europa atuando como parceira estável, ainda que nem todos o sejam.
O presidente sublinhou a urgência de descarbonizar a economia europeia, citando Portugal como exemplo pela elevada quota de energia renovável. Atingir autonomia energética passa por inovação tecnológica, reindustrialização e cadeias de abastecimento mais seguras.
A gaffe com o vinho
No início do discurso, Costa pronunciou por engano a palavra vinho em vez de Minho ao referir-se ao nome da universidade. A plateia percebeu o lapso, que gerou risos, mas o presidente corrigiu o foco e manteve o rumo do discurso.
Costa concluiu reforçando a ligação entre o saber académico e a qualidade de vida, associando o avanço académico aos ganhos da indústria enológica. Os XLVII Colóquios encerram as comemorações dos 50 anos do curso.
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