- As eleições legislativas na Hungria deram uma maioria de dois terços ao partido Tisza de Peter Magyar, afastando o primeiro-ministro Viktor Orbán.
- Analistas dizem que a desinformação pré-eleitoral foi majoritariamente de origem interna, com o Fidesz a desempenhar papel central nesse ecossistema.
- Entre os componentes estiveram órgãos de comunicação influenciados pelo partido, organizações-fantasma e uma rede de influenciadores que promoveram narrativas falsas.
- A Rússia participou com táticas de interferência, mas o alcance foi limitado e, muitas ações visaram conteúdos em inglês em plataformas externas.
- Devido a restrições de publicidade, o Fidesz recorreu a grupos privados no Facebook e a vídeos gerados por inteligência artificial para disseminar mensagens, incluindo centenas de anúncios.
A Hungria realizou eleições legislativas num contexto marcado por desinformação generalizada, desde conteúdos partidários fabricados até ações de influência associadas ao Kremlin. No desfecho, o partido Tisza, liderado por Peter Magyar, venceu com maioria de dois terços, conquistando 138 assentos dos 199 no parlamento, e afastando Viktor Orbán do poder após 16 anos.
Analistas indicam que a maior parte da desinformação pré-eleitoral teve origem interna, não externa. Szilárd Teczár, da Lakmusz, aponta que pelo menos 90% das peças foram criadas dentro do país, com o Fidesz a coordenar o ecossistema mediático que o envolve, incluindo organizações de fachada como o Movimento de Resistência Nacional e a rede Megafon.
Desinformação interna domina a campanha
Investigadores sublinham táticas mais agressivas, com uso de “desinformação completa” em várias peças. Um exemplo envolve um suposto programa do Tisza divulgado pelo Index, depois desmentido como ficção. O material incluía propostas absurdas, como um imposto sobre gatos e cães. O Tisza processou o Index e outras entidades pela publicação.
Ecossistema de apoio e propaganda
O Fidesz lançou cartazes com programas falsos e organizou ações como campanhas de aldeia em aldeia para fortificar a base de apoio. Especialistas destacam que o campo governamental teve de recorrer a meios mais extremos para manter a credibilidade perante um escrutínio mais apertado.
Interferência externa e redes sociais
A análise aponta uma presença russa, com operadores a produzir conteúdos virados para o espaço digital. Grupos como Matryoshka e Storm 1516 difundiam vídeos e artigos, simulando meios de comunicação conhecidos. Contudo, o alcance em húngaro foi limitado e muitos conteúdos circulavam principalmente em inglês no X, menos relevantes para o eleitorado local.
Estratégias de plataformas e controlo de mensagens
Restricções de publicidade política impostas pela Meta e pelo YouTube reduziram a propagação de anúncios. Ainda assim, o Fidesz criou grupos no Facebook, como Fighters Club, e utilizou plataformas próprias para mobilizar apoiantes. Relatórios indicam que mais de 4 mil anúncios contribuíram para a angariação de adesões.
IA e desinformação visual
Relatos apontam para uso de vídeo gerado por IA para desacreditar adversários e incitar medo. Também imagens geradas mostravam figuras políticas em cenários militares. As plataformas de verificação destacam dificuldades em rastrear esse conteúdo na absence de ferramentas públicas de monitorização.
Entre na conversa da comunidade