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Hungria: táticas de desinformação moldam eleição com provas fabricadas

Desinformação interna molda as legislativas na Hungria, com programas falsos, redes de influência e IA, enquanto o impacto russo permanece limitado

Apoiantes do primeiro-ministro Viktor Orbán agitam bandeiras numa digressão pelo interior em Kaposvár, Hungria, em 16 de março, antes das legislativas de 12 de abril
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  • As eleições legislativas na Hungria deram uma maioria de dois terços ao partido Tisza de Peter Magyar, afastando o primeiro-ministro Viktor Orbán.
  • Analistas dizem que a desinformação pré-eleitoral foi majoritariamente de origem interna, com o Fidesz a desempenhar papel central nesse ecossistema.
  • Entre os componentes estiveram órgãos de comunicação influenciados pelo partido, organizações-fantasma e uma rede de influenciadores que promoveram narrativas falsas.
  • A Rússia participou com táticas de interferência, mas o alcance foi limitado e, muitas ações visaram conteúdos em inglês em plataformas externas.
  • Devido a restrições de publicidade, o Fidesz recorreu a grupos privados no Facebook e a vídeos gerados por inteligência artificial para disseminar mensagens, incluindo centenas de anúncios.

A Hungria realizou eleições legislativas num contexto marcado por desinformação generalizada, desde conteúdos partidários fabricados até ações de influência associadas ao Kremlin. No desfecho, o partido Tisza, liderado por Peter Magyar, venceu com maioria de dois terços, conquistando 138 assentos dos 199 no parlamento, e afastando Viktor Orbán do poder após 16 anos.

Analistas indicam que a maior parte da desinformação pré-eleitoral teve origem interna, não externa. Szilárd Teczár, da Lakmusz, aponta que pelo menos 90% das peças foram criadas dentro do país, com o Fidesz a coordenar o ecossistema mediático que o envolve, incluindo organizações de fachada como o Movimento de Resistência Nacional e a rede Megafon.

Desinformação interna domina a campanha

Investigadores sublinham táticas mais agressivas, com uso de “desinformação completa” em várias peças. Um exemplo envolve um suposto programa do Tisza divulgado pelo Index, depois desmentido como ficção. O material incluía propostas absurdas, como um imposto sobre gatos e cães. O Tisza processou o Index e outras entidades pela publicação.

Ecossistema de apoio e propaganda

O Fidesz lançou cartazes com programas falsos e organizou ações como campanhas de aldeia em aldeia para fortificar a base de apoio. Especialistas destacam que o campo governamental teve de recorrer a meios mais extremos para manter a credibilidade perante um escrutínio mais apertado.

Interferência externa e redes sociais

A análise aponta uma presença russa, com operadores a produzir conteúdos virados para o espaço digital. Grupos como Matryoshka e Storm 1516 difundiam vídeos e artigos, simulando meios de comunicação conhecidos. Contudo, o alcance em húngaro foi limitado e muitos conteúdos circulavam principalmente em inglês no X, menos relevantes para o eleitorado local.

Estratégias de plataformas e controlo de mensagens

Restricções de publicidade política impostas pela Meta e pelo YouTube reduziram a propagação de anúncios. Ainda assim, o Fidesz criou grupos no Facebook, como Fighters Club, e utilizou plataformas próprias para mobilizar apoiantes. Relatórios indicam que mais de 4 mil anúncios contribuíram para a angariação de adesões.

IA e desinformação visual

Relatos apontam para uso de vídeo gerado por IA para desacreditar adversários e incitar medo. Também imagens geradas mostravam figuras políticas em cenários militares. As plataformas de verificação destacam dificuldades em rastrear esse conteúdo na absence de ferramentas públicas de monitorização.

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