- A Imaginarius procura voluntários maiores de 18 anos para participar na performance Mamil(a)s, da Desvio Coletivo, que estreia nacionalmente às 19h de 23 de maio no distrito de Aveiro e na Área Metropolitana do Porto.
- A edição celebra os 25 anos do festival, que passou a chamar-se Festival de Artes Performativas em Espaço Público. A peça já tinha sido encenada apenas em São Paulo e não foi autorizada no Brasil desde 2021.
- A obra discute pudor, censura e direitos das mulheres, cruzando direito e feminismos, com formação prévia para os selecionados sobre o caráter plural do espetáculo.
- O processo de seleção encerra a 8 de maio, com cerca de 30 participantes de qualquer identidade de género. Os figurantes recebem orientação para uma tarefa que envolve caminhar na rua e pode ser interpretada como contínua entre exposição e vigilância.
- A produção destaca que a atuação final é resultado de preparação e construção coletiva, refletindo sobre questões de género, cidade, direito e arte, e conta com a participação de Leandro Brasílio (advogado) e Priscilla Toscano (diretora artística).
A performance intitulada Mamil(a)s chega a Portugal para a edição comemorativa dos 25 anos do festival Imaginarius. A estreia está marcada para as 19:00 de 23 de maio, na cidade do distrito de Aveiro e na Área Metropolitana do Porto. A peça é da Desvio Coletivo, companhia brasileira, que já exibiu o conceito apenas uma vez, em São Paulo, por não ter autorização para encenar novamente no Brasil.
A obra cruza Direito, Feminismo e Arte, convocando 30 participantes de qualquer identidade de género. Os interessados podem candidatar-se até 08 de maio através do site do festival, com requisito de terem 18 anos ou mais e receberem formação prévia que explica o caráter inclusivo da produção.
Participação e formação
Os selecionados receberão treino para compreender a dimensão coletiva da peça, que envolve andar na rua sem ser um gesto neutro. A produção sustenta que, embora a ação pareça simples, carrega significados de direitos, vigilância social e exposição pública.
Contexto e propósito da obra
A Desvio Coletivo descreve Mamil(a)s como um projeto comunitário que debate género, cidade, direito e arte. A formação visa antecipar conversas sensíveis sobre circulação no espaço público, com foco em várias vivências presentes na cidade.
Leandro Brasílio, coautor e produtor, afirma que a obra expõe desigualdades ligadas ao pudor coletivo. A peça propõe refletir sobre por que a exposição de mamilos femininos costuma ser mais alvo de críticas do que a de mamilos masculinos.
A proposta aponta para que o corpo feminino enfrente riscos sociais mais amplos em diferentes contextos, mesmo quando a performance não é verbal. A ideia é que a experiência de participação transforme a percepção individual e a relação com a cidade.
A iniciativa já teve a participação de Priscilla Toscano, diretora artística, que pesquisou o corpo das mulheres no espaço urbano. A equipa enfatiza que a atuação final envolve uma construção coletiva, sem tomar a maioria como regra.
Além dos desdobramentos artísticos, o projeto presta homenagem a mulheres marcadas pela violência e pela exclusão, conectando casos históricos com exibições públicas contemporâneas.
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