- Nanopartícula desenvolvida pela equipa da Universidade Politécnica de Valência pode abrir caminho no tratamento do cancro ao restabelecer a comunicação entre células imunitárias (glóbulos brancos) e tumorais, permitindo reconhecer e eliminar células cancerígenas.
- Através de uma “ponte” entre as células, a nanopartícula permanece na célula tumoral e expõe a outra face aos glóbulos brancos, facilitando a morte celular.
- Inspirada em anticorpos bispecíficos, a tecnologia é mais fácil de produzir, adapta-se a vários tipos de cancro, tem vida útil mais longa e pode apresentar menor risco de efeitos colaterais.
- O estudo, publicado na revista Advanced Materials, inicialmente concentrou-se em melanomas metastáticos, com potencial de aplicação em outros tumores sólidos ou hematológicos.
- A equipa pretende validar a método para tumores sólidos mais complexos e explorar a possibilidade de a nanopartícula transportar fármacos, combinando terapias num único sistema.
A Universidade Politécnica de Valência desenvolveu uma nanopartícula que pode abrir caminho no tratamento do cancro. O estudo, publicado na revista Advanced Materials, foi apresentado pela instituição este sábado. A equipa explica que a nanopartícula restaura a comunicação entre células imunitárias e tumorais para que o sistema imunitário reconheça e elimine as células cancerígenas.
A solução, inspirada nos anticorpos bispecíficos, oferece uma produção mais simples, maior estabilidade e compatibilidade com vários tipos de cancro. A nanopartícula funciona como uma ponte entre glóbulos brancos e células tumorais, facilitando a ação imunitária e reduzindo efeitos adversos.
De acordo com a equipa liderada por Ramón Martínez Máñez, a tecnologia permanece mais tempo no organismo e pode adaptar-se a tumores sólidos e hematológicos, além de permitir a entrega de fármacos no mesmo sistema.
Potencial e próximos passos
Inicialmente testada em melanomas metastáticos, a tecnologia pode ser estendida a tumores sólidos mais complexos. Os investigadores pretendem validar a abordagem em modelos adicionais para confirmar a eficácia.
As nanopartículas mostraram maior concentração em áreas tumorais e resistência estável, o que pode favorecer resultados superiores em tumores desafiantes. A equipa aponta ainda para a possibilidade de carregar fármacos na própria ponte.
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