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ProTejo recorre da decisão da CE sobre gestão ibérica de caudais

ProTejo recorre da decisão da Comissão Europeia, considerada inaceitável, mantendo o recurso contra a gestão ibérica de caudais do Tejo

O rio Tejo em Espanha, em San Martin de Montavalvan, Provincia de Cuenca
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  • A Comissão Europeia arquivou a denúncia sobre a gestão de caudais do rio Tejo por Portugal e Espanha, apresentada pelo Movimento pelo Tejo — ProTejo.
  • O ProTejo anunciou um novo recurso à Provedora de Justiça Europeia, considerando a decisão da CE “inaceitável” e carecida de fundamentação.
  • O movimento acusa a CE de remeter a resolução dos problemas para “diálogos bilaterais” previstos para 2025-2026 e de não responder à ilegalidade do regime da Convenção de Albufeira.
  • A CE justificou o arquivamento ao dizer que a supervisão deve ocorrer via acompanhamento político entre os dois países, sem medidas sancionatórias.
  • O ProTejo já tinha denunciado, em março de 2024, falhas graves na gestão transfronteiriça e defende caudais ecológicos contínuos, criticando a gestão “meramente política” dos recursos hídricos.

O Movimento pelo Tejo – ProTejo anunciou hoje que vai recorrer à Provedora de Justiça Europeia contra a decisão da Comissão Europeia de arquivar uma denúncia relacionada com a gestão de caudais no Tejo. A queixa envolve Portugal e Espanha e é baseada na Diretiva Quadro da Água.

A decisão da CE foi comunicada após análise ao processo iniciado por várias organizações ibéricas. O ProTejo afirma que a resolução não se fundamenta em provas, nem responde à deterioração dos ecossistemas do rio. O movimento alega que a opção pela via de diálogos bilaterais desvaloriza as evidências científicas.

O recurso apresentado aponta que a CE assumiu uma posição inadequada ao não aplicar medidas sancionatórias e ao adiar decisões para um biénio futuro. Sustenta ainda que a denúncia descreve ilegalidades associadas ao regime de caudais ecológicos no Tejo.

Na prática, a CE justificou o arquivamento ao remeter a resolução de falhas para acompanhamento político entre Portugal e Espanha. O documento da Unidade de Implementação Ambiental da Direção-Geral do Ambiente aponta para o uso de diálogos gerais em 2025-2026.

Reação do ProTejo

O movimento classifica a decisão de paradoxal e inaceitável, referindo que relatórios de fevereiro de 2025 já destacavam o estado crítico dos rios europeus. Alegam que, mesmo assim, a denúncia com provas permanece arquivada.

Os porta-vozes Ana Silva e Paulo Constantino defendem que o caso viola o princípio da boa administração e o dever de proteção dos ecossistemas da Rede Natura 2000. Pedem à Provedora de Justiça Europeia que não aceite o encerramento.

Este recurso surge duas semanas depois de o ProTejo ter enviado uma nova denúncia à Provedora, criticando a gestão e o atraso na emissão de decisão final pela CE. A denúncia inicial envolveu 31 organizações ibéricas.

O movimento, criado em 2009 e sediado em Vila Nova da Barquinha, defende caudais ecológicos regulares, contínuos e sazonais. Resiste a uma gestão que, na perspetiva do ProTejo, privilegia a política sobre o ambiente.

A denúncia original de março de 2024 apontava falhas na gestão transfronteiriça do Tejo e criticava um regime de caudais mínimos com mais de duas décadas, considerado obsoleto e prejudicial às comunidades ribeirinhas.

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