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Gaivotas ficam mais agressivas, indicam especialistas

Não há mudança global no comportamento das gaivotas; o aumento da agressividade deve-se ao crescimento da população urbana e à disponibilidade de alimento humano, sobretudo na época de reprodução

A população de gaivotas aumentou significativamente nos últimos anos na Área Metropolitana do Porto
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  • A perceção de maior agressividade das gaivotas deve-se sobretudo ao aumento extraordinário da população urbana e à abundância de alimento criado pelas atividades humanas, não a uma mudança global no comportamento da espécie.
  • Dados do censo de gaivotas urbanas (2021/2022) mostram expansão para norte, especialmente na Área Metropolitana do Porto, com mais gaivotas em meio urbano desde início dos anos duzentos.
  • Três fatores principais de alimentação humana que sustentam o aumento são: aterros sanitários com gestão deficiente, resíduos domésticos ou comerciais acessíveis e desperdícios da atividade piscatória.
  • Fora da época reprodutiva, a agressividade não é necessariamente maior; entre maio e agosto, durante incubação e criação de crias, as gaivotas apresentam comportamentos defensivos mais intensos.
  • A gestão adequada de resíduos é fundamental para reduzir conflitos: limitar disponibilidade de alimento, melhorar o tratamento de desperdícios em portos e manter lixo inacessível no urbanismo.

Os golfinhos? Não, as gaivotas. A perceção de maior agressividade não resulta de uma mudança global no comportamento da espécie, mas do crescimento extraordinário das populações urbanas e da abundância de alimento criado pela atividade humana. A explicação vem de especialistas.

Para o biólogo Nuno Oliveira, técnico de conservação marinha da SPEA, o aumento da presença de gaivotas em áreas urbanas amplifica encontros com pessoas. O que se observa, diz, é uma combinação de população maior e mais interações.

Dados do censo de gaivotas urbanas, entre 2021 e 2022, mostram expansão para norte, com a Área Metropolitana do Porto a registrar crescimento significativo desde o início dos anos 2000. Nidificação urbana era quase inexistente há décadas.

A disponibilidade alimentar é o principal motor deste fenómeno. Aterros sanitários mal geridos, resíduos domésticos acessíveis e descartes de pesca criam fontes previsíveis de alimento para as gaivotas, facilitando a adaptação à cidade.

Este contexto explica mais encontros entre pessoas e aves, mas não indica uma alteração global no comportamento da espécie. O aviso vem de Oliveira: algumas gaivotas já aprendem a explorar situações de alimento próximo de humanos.

As gaivotas são aves de vida longa, entre 20 a 30 anos. Indivíduos experientes podem associar agressividade a ganhos, moldando comportamentos ao longo da vida. Contudo, isso não representa uma tendência geral.

Agressividade sazonal ocorre entre maio e agosto, durante a incubação de ovos ou alimentação de crias. Voos de afastamento próximos de ninhos podem ocorrer quando as aves se sentem ameaçadas.

Além de variar entre indivíduos, a população apresenta colónias com níveis diferentes de agressividade. Algumas aves aprendem a retirar alimento das mãos, outras mantêm maior reserva.

Gestão de resíduos

A redução de conflitos passa pela melhoria da gestão de resíduos urbanos. Aterros precisam de áreas menos expostas e cobertura rápida de resíduos. Nos portos, é essencial tratar melhor os desperdícios.

Nas zonas urbanas, o lixo deve permanecer inacessível. Alimentar gaivotas deve ser evitado, pois incentiva procura ativa de alimento junto de pessoas.

O caminho, diz Oliveira, não está em eliminar as gaivotas, mas em prevenir conflitos ao longo do ano. A prevenção contínua é mais eficaz do que ações pontuais quando o calor chega.

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