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ONU alerta para risco de mundo se habituar às restrições das mulheres afegãs

ONU alerta que o mundo pode habituar-se às restrições às mulheres afegãs, ante novos deslocamentos, crise económica e decreto que legaliza violência doméstica

Burka voltou a ser obrigatória para as mulheres no Afeganistão com os talibãs no poder
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  • A ONU alertou, em 17 de março, sobre o risco de o mundo se habituar às restrições enfrentadas pelas mulheres afegãs e pediu para não normalizar a situação.
  • No leste do Afeganistão, mais de 64 mil pessoas foram afetadas pela escalada militar, com muitas a fugir e risco de violência ou exploração nas estradas.
  • A ONU projeta que 10,7 milhões de mulheres e meninas precisarão de assistência humanitária em 2026, agravada pela subida de preços ligada ao conflito.
  • A ONU Mulheres procura expandir apoio financeiro, distribuição de kits essenciais e programas de rendimentos, mas enfrenta défice de financiamento de 50%.
  • Um decreto recente anulou a igualdade perante a lei e autoriza formas de violência doméstica, dificultando o acesso à justiça; a ONU pede aos talibãs que cumpram as obrigações de direitos humanos.

A ONU lançou um alerta grave sobre o risco de o mundo aceitar as restrições que afetam as mulheres afegãs. A organização teme que isto normalise o sofrimento e afaste a esperança de mudança.

Durante uma videoconferência desde Cabul, a representante da ONU Mulheres no Afeganistão, Susan Ferguson, pediu à comunidade internacional que não considere a situação como normal. Alerou para o impacto de tais restrições.

A publicação ocorre a 17 de março, numa altura em que a ONU destaca que a violência militar se soma a pressões económicas crescentes para as mulheres e meninas, com consequências profundas na vida quotidiana.

Contexto humano e económico

Mais de 64 mil pessoas, principalmente mulheres e meninas, foram afetadas pela escalada militar em quatro distritos fronteiriços, desde o início da ofensiva no leste. Muitas já tinham fugido após o sismo de agosto de 2025.

As deslocadas enfrentam receio de violência e exploração em estradas, com serviços básicos como saúde e água a registar interrupções repetidas. O regresso de pessoas vindas do Irão também contribui para o fluxo migratório.

Audiências internacionais e decisores em Nova Iorque foram lembrados de que 2026 já era visto como um ano difícil para as afegãs, agravado pelo conflito no Médio Oriente e tensões com o Paquistão.

A ONU prevê que mulheres sozinhas ou com crianças sejam empurradas para uma fronteira já sobrecarregada, exigindo que agências humanitárias se preparem para um novo fluxo migratório.

Direitos em risco e resposta humanitária

Para além da violência, aumenta a pressão económica. A ONU Mulheres indica que as famílias, sobretudo lideradas por mulheres, enfrentam dificuldades acrescidas para comprar alimentos e bens essenciais frente aos preços elevados.

A organização tenta ampliar a assistência financeira, a distribuição de kits essenciais e o apoio a pequenas atividades geradoras de rendimento. Contudo, o financiamento encontra-se deficitário em cerca de 50%.

Foi denunciado um decreto recente que, segundo Ferguson, anula a igualdade entre homens e mulheres na lei e autoriza formas de violência doméstica. O texto exige que a violência seja reconhecida apenas com provas visíveis.

O decreto também condiciona o acesso à justiça, exigindo que mulheres estejam acompanhadas por um guardião masculino. A ONU apelou às autoridades talibãs para respeitarem as obrigações internacionais de direitos humanos.

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