- Em 2023, 1.043 ferries europeus emitiram 13,4 milhões de toneladas de CO2, o que corresponde a 6,6 milhões de automóveis.
- Dublin é o porto mais exposto a óxidos de enxofre provenientes de ferries, seguido de Las Palmas e Holyhead.
- Em Barcelona, os ferries são responsáveis por mais poluição porSOx do que todos os carros da cidade.
- O Mediterrâneo passou a ser uma Área de Controlo de Emissões de Enxofre desde 1 de maio de 2025; Las Palmas deverá manter-se entre os portos mais poluentes em 2027, por ficar fora destas regras.
- A eletrificação e a hibridização dos ferries podem reduzir até quarenta e dois por cento as emissões de CO2; pelo menos sessenta por cento da frota poderia operar com baterias até 2035, enfrentando sobretudo a infraestrutura de carregamento.
Numa análise da ONG Transport & Environment (T&E), os ferries movidos a combustíveis fósseis em várias cidades portuárias europeias emitem mais poluentes que o parque automóvel local. Em 2023, 1 043 ferries produziram 13,4 milhões de toneladas de CO2, o que corresponde às emissões anuais de 6,6 milhões de automóveis.
O estudo alerta que a poluição por óxidos de enxofre SOx gerada por estes ferries supera, em várias cidades, a soma das emissões de todos os automóveis portuários. Em Barcelona, Dublin e Nápoles, os ferries contribuem para níveis de SOx superiores aos dos carros locais. O problema afeta especialmente áreas adjacentes a portos, onde a poluição é mais perceptível pela população.
Portos com maior poluição
Dublin, Irlanda, aparece como a cidade portuária mais exposta a SOx proveniente de ferries. Seguem-se Las Palmas, Gran Canaria, e Holyhead, País de Gales. As previsões indicam que Las Palmas pode tornar-se o porto com maior emissão em 2027, devido a novas regras de áreas de controlo de emissões que não abrangem as Canárias.
Barcelona é o porto que mais CO2 liberta por ferries na Europa, e os navios ali geram também 1,8 vezes mais SOx do que todos os automóveis da cidade, ainda que restrições no Mediterrâneo estejam já em vigor. A partir de 1 de maio de 2025, o Mediterrâneo passa a integrar a Área de Controlo de Emissões de Enxofre, reduzindo o teor de enxofre nos combustíveis de 0,5% para 0,1%.
Soluções e perspetivas
A T&E conclui que a eletrificação e a hibridização podem reduzir até 42% as emissões de CO2 dos ferries. A transição permitiria melhorar a qualidade do ar nas zonas portuárias e reduzir custos operacionais. Estima-se que pelo menos 60% da frota possa funcionar com baterias até 2035, com várias rotas já economicamente viáveis em modo elétrico.
Em Estocolmo, um ferry elétrico de hidrofólio mostrou reduções de emissões de até 94% e reduziu o tempo de viagem de 55 para cerca de 30 minutos. O principal obstáculo persiste na infraestrutura de carregamento, embora o estudo da T&E afirme que o desafio é menor do que parece. Aproximadamente 57% dos portos precisariam apenas de carregadores simples, com potência inferior a 5 MW.
A mensagem da organização
Os responsáveis pela T&E defendem que os ferries devem ligar comunidades em vez de poluí-las. A renovação da frota europeia, com renovação limpa, é apresentada como crucial para reduzir as emissões, melhorar a qualidade do ar e tornar as operações mais económicas a longo prazo. A idade média dos ferries na Europa é de 26 anos, o que intensifica a urgência de mudanças.
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