- As emissões de gases com efeito de estufa desde o início da guerra já somam cerca de 311 milhões de tCO2e; no quarto ano, aumentaram 75 milhões de tCO2e.
- A maior parte das emissões resulta de atividades bélicas alimentadas a combustíveis fósseis, com tanques e maquinaria a responder por cerca de 37% do total do conflito.
- Incêndios florestais representam 23% das emissões globais da guerra; em 2025 a Ucrânia registou 1,39 milhões de hectares queimados.
- A guerra causou enormes perdas humanas e de deslocados: quase seis milhões de ucranianos fugiram do país e cerca de 3,7 milhões deslocaram-se dentro do território.
- A Ucrânia anunciou planos de responsabilizar a Rússia por danos ambientais, visando indemnização superior a 37 mil milhões de euros, numa iniciativa ligada à COP30.
Dois mil e vinte e dois marcou uma virada com impactos que vão além do território de combate. A invasão russa da Ucrânia intensificou conflitos, destruição de infraestruturas e incêndios, elevando a pressão sobre a natureza e o clima. As autoridades destacam um ciclo vicioso entre violência armada e alterações climáticas, que agrava danos ambientais e sociais.
O balanço humano é pesado: 1,8 milhões de militares mortos, feridos ou desaparecidos de ambos os lados, e perto de 15 mil civis mortos na Ucrânia. Quase seis milhões de ucranianos fugiram do país, com cerca de 3,7 milhões a deslocarem-se no interior do território.
A paisagem natural sofreu fortemente. A Ucrânia alberga uma parte significativa da biodiversidade europeia, mas enfrenta crescentes pressões sobre mais de mil espécies. As imagens de tanques movidos a combustíveis fósseis e incêndios mostram a guerra como um dos maiores poluentes globais, mesmo com pouca cobertura mediática.
Emissões e impacto climático da guerra
O projeto de contabilização de emissões da guerra aponta para um aumento de 75 milhões de toneladas de CO2 equivalente no quarto ano, elevando o total desde fevereiro de 2022 para 311 milhões tCO2e. O valor aproxima-se das emissões anuais de França ou do consumo energético necessário à extração de água.
Essas emissões vêm de atividades bélicas, incêndios florestais, infraestruturas de energia, migração, aviação civil e reconstrução de danos. Os incêndios florestais representam 23% do total global de emissões, no segundo ano consecutivo de subida.
Em 2025, a Ucrânia registou 1,39 milhões de hectares de incêndios naturais, muito acima dos níveis pré-guerra. Organizações humanitárias trabalham para restaurar habitats, proteger a vida selvagem e apoiar a saúde mental de soldados.
Consumo de fósseis e vias de poluição
O uso de combustíveis fósseis por tanques, jatos de combate e logística militar representa 37% das emissões associadas ao conflito. A produção de munições e a reposição de equipamento destruído também contribuem significativamente para o peso climático.
Especialistas indicam que, apesar de linhas de frente relativamente estáveis, o combate manten-se ativo, sustentando uma procura elevada de combustível e de munições. As emissões militares são estimadas em cerca de 5,5% das emissões globais, embora ainda haja falta de transparência.
Reparações climáticas e responsabilidade
Na COP30, a Ucrânia anunciou planos de responsabilizar a Rússia por emissões associadas à guerra, propondo indemnização superior a 37 mil milhões de euros no âmbito de danos ambientais. O montante baseia-se num custo social do carbono de 185 dólares por tCO2e.
A iniciativa marca o início de um movimento para trazer responsabilidade financeira pelas alterações climáticas relacionadas com conflitos armados, com foco na Ucrânia e na proteção de ecossistemas afetados.
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