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Descobertas indicam que Miguel Ângelo salvou 20 obras no último plano

Estudo revela que Miguel Ângelo não queimou o espólio, planeando entregar pelo menos vinte obras a discípulos e amigos, sob avaliação do Vaticano

David, de Miguel Ângelo, exposta na Galeria da Academia, em Florença
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  • A investigação indica que Michelangelo não queimou o seu espólio antes de morrer, tendo elaborado um plano para salvaguardar esboços e esculturas com a ajuda de amigos e discípulos.
  • Valentina Salerno identifica pelo menos vinte obras que teriam sido preservadas, em vez de destruídas, com parte do material mantido em casa do artista.
  • O Comité Científico da Fabbrica di San Pietro, responsável pela Basílica de São Pedro, está a analisar a hipótese apresentada pela investigação.
  • Após a morte, o notário encontrou apenas três estátuas e alguns esboços; outras peças teriam sido distribuídas entre quem estava próximo do artista.
  • O estudo revela a existência de um cubículo secreto na casa de Michelangelo, onde se acredita que ele ocultava as obras; entre as peças mencionadas está o esboço do pé da Sibila Libia, vendido por mais de 27 milhões de dólares.

Miguel Ângelo pode ter salvo parte do seu espólio antes de morrer, em vez de o ter queimado, segundo um estudo recente. A investigadora Valentina Salerno liderou o trabalho, que aponta para um plano para proteger esboços e esculturas.

A análise revela a existência de pelo menos 20 obras associadas ao artista renascentista. O estudo foi apresentado em Itália e já desperta interesse institucional no Vaticano, segundo fontes citadas pela agência Efe.

O Comité Científico da Fabbrica di San Pietro está a avaliar a hipótese levantada pela pesquisa, que envolve a gestão da Basílica de São Pedro. A confirmação ocorreu numa comunicação feita na sexta-feira.

A pesquisa sustenta que o mestre, já com 89 anos, organizou a guarda das peças para assegurar a continuidade da sua arte após a morte. Segundo Salerno, o material foi confiado a amigos e discípulos.

Durante décadas, acreditou-se que Miguel Ângelo teria queimado a maior parte do seu espólio pouco antes de morrer, em Roma, em fevereiro de 1564. A nova leitura requalifica esse legado para além do que foi encontrado.

Salerno sustenta que o artista criou um cubículo secreto na casa na Via Macel de’ Corvi, onde deixou as obras protegidas. A intenção era evitar que terceiros obtivessem as peças.

Após o falecimento, o notário Francesco Tomassino encontrou apenas três esculturas e alguns esboços; o restante do acervo teria sido distribuído entre associados próximos. A descoberta reabre perguntas sobre o que ficou por revelar.

O estudo aponta para a existência de mais de vinte obras ainda sem atribuição ou completamente desconhecidas. A autenticidade está a ser submetida a testes rigorosos em várias instituições.

Entre as peças citadas está o esboço do pé da Sibila Líbia, cuja venda em Londres superou 27 milhões de dólares e que foi associada a Miguel Ângelo após investigação de Christie’s. A peça integra o universo estudado.

O projeto envolve o Vaticano, com participação de especialistas de museus importantes como o Museu Britânico, a Academia de Belas Artes de Florença e a Fundação Buonarroti. As colaborações são citadas pela imprensa italiana.

Valentina Salerno descreve Miguel Ângelo como um homem de elevada inteligência estratégica e forte influência nas suas relações. O estudo destaca a complexidade da sua gestão de bens.

O grupo de investigação inclui personalidades ligadas aos Museus Vaticanos e a institutos académicos, com a participação de historiadores e curadores de renome. A leitura pretende reescrever parte da biografia do artista.

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