- Um estudo publicado na revista Addictive Behaviors associa perfecionismo ligado à imagem corporal e desportos de competição ao maior risco de dependência do exercício físico.
- Participaram mais de mil jovens, com média de 25 anos (65% homens), atletas e não atletas, que responderam a questionários sobre hábitos de exercício, motivações, traços de personalidade e relação com a atividade física.
- A análise utilizou técnicas de inteligência artificial para identificar padrões entre variáveis psicológicas e comportamentais.
- O perfecionismo foi o preditor mais consistente do risco, seguido pelo desejo de perder peso e de aumentar a massa muscular, entre 27 fatores avaliados.
- Os investigadores destacam que a dependência do exercício se aproxima de comportamentos aditivos e de distúrbios alimentares; os resultados permitem identificar padrões de risco a nível populacional, não diagnóstico individual; o estudo contou com financiamento do Plano Nacional de Drogas (MORPHEO) e colaboração italiana.
O exercício pode estar ligado ao risco de dependência quando associado a padrões de perfeccionismo e à busca obsessiva por desempenho no desporto. Um estudo publicado na revista Addictive Behaviors analisa essas ligações com base em dados de mais de mil jovens.
Conduzido por Thomas Zandonai, do Departamento de Farmacologia, Pediatria e Química Orgânica da Universidade Miguel Hernández (UMH) de Elche, o estudo contou com a colaboração do Isabial, Instituto de Saúde e Investigação Biomédica de Alicante. Participaram atletas e não atletas.
Os investigadores utilizaram técnicas de inteligência artificial para identificar padrões entre variáveis psicológicas e comportamentais relacionadas com a prática de exercício. A equipa aponta que o exercício, a manter-se saudável, pode tornar-se prejudicial quando se manifesta de forma obsessiva.
Resultados e interpretação
O aperfeiçoamento pessoal ligado à imagem corporal emergiu como o preditor mais estável do risco de dependência do exercício, seguido pelo desejo de perder peso e de aumentar a massa muscular. Entre 27 fatores analisados, o perfecionismo destacou-se como o indicador principal.
A dependência do exercício partilha semelhanças com outros comportamentos aditivos e está associada a distúrbios alimentares e ao exercício compulsivo. O estudo realça que os resultados permitem identificar padrões de risco a nível populacional, não diagnosticando indivíduos.
Financiamento e contexto
O projeto MORPHEO financiou a investigação, com apoio da delegação governamental espanhola para o Plano Nacional de Drogas. Contou ainda com a colaboração do Laboratório de Ciências da Dependência da Universidade de Trento, em Itália.
Entre na conversa da comunidade