- Mais de 200 trabalhadores da Teleperformance foram abrangidos por um despedimento coletivo em outubro, com acessos cortados para muitos já na época de anúncio.
- Em 2025, até outubro, já estavam previstas 5.774 dispensas coletivas, superando o total de 2024 (5.758) e apontando para um novo recorde nos últimos cinco anos.
- A lei exige pré-aviso por escrito aos trabalhadores abrangidos, com prazos que variam entre quinze e setenta e cinco dias consoante a antiguidade.
- Especialistas citam fatores como o aumento da utilização de inteligência artificial e tarifas aduaneiras dos EUA como explicações para o crescimento dos despedimentos coletivos.
- Em Castelo Branco, o Grupo Valérius despediu 22 trabalhadores da Dielmar, em Alcains, no final de dezembro, destacando dificuldades financeiras e redução de encomendas; no Norte há sinais de dificuldades semelhantes na indústria têxtil.
Ao que pode ser comprovado, mais de 200 trabalhadores da Teleperformance foram incluídos num despedimento coletivo anunciado em outubro. A medida ocorreu após algumas horas de trabalho já no regime remoto, com cortes de acessos a sistemas. O processo segue sem previsão de conclusão.
Vítor Ribeiro, 45 anos, era funcionário da Teleperformance há quatro anos. Desempenhava várias funções, desde moderação de conteúdos até apoio ao cliente por telefone e e-mail. Foi informado por uma supervisora numa videochamada que integrava o grupo afetado.
Na semana do anúncio, houve quem recebesse uma reunião informativa com um superior, enquanto outros trabalhadores verificaram o corte imediato de acessos. O contrato cessou apenas no final de novembro, apesar de a comunicação ter ocorrido em outubro, num quadro de despedimento coletivo.
O enquadramento legal do pré-aviso
A lei exige pré-aviso por escrito aos trabalhadores abrangidos, com indicação do motivo, data de cessação e pagamento de compensação. O prazo varia conforme a antiguidade: 15, 30, 60 ou 75 dias, conforme o tempo de serviço.
O grupo de mais de 200 despedidos na Teleperformance soma-se a 5.774 desligamentos de 2025, já anunciados pela DGERT. A entidade confirmou que o processo da Teleperformance entrou nos serviços em 16 de outubro de 2025 e permanece em curso.
Os dados de 2025 ainda não estão completos na DGERT, dado que os relatórios mensais vão até outubro. No total, os despedimentos coletivos já superam, até outubro, o registo de 2024 (5.758) e aproximam-se de patamares vistos apenas em anos anteriores.
Tendências setoriais e causas apontadas
Especialistas ouvidos pelo Observador apontam para uma tendência de crescimento de despedimentos coletivos desde 2021. Entre as causas apontadas, destacam o aumento do uso de inteligência artificial e as mudanças no comercio internacional, incluindo tarifas aduaneiras nos EUA.
O trio de relatórios trimestrais da DGERT indica que o setor da indústria transformadora é o mais afetado em 2025. Nos três primeiros trimestres, registaram-se despedimentos significativos, com maior incidência entre mulheres.
Casos regionais e setoriais
No distrito de Castelo Branco, o Grupo Valérius, por exemplo, anunciou o despedimento de 22 trabalhadores na Dielmar em Alcains, alegando fragilidade financeira e ausência de encomendas. O sindicato local foi chamado a intervir para assegurar os direitos dos trabalhadores.
A indústria têxtil da região Norte tem registado casos de dificuldades financeiras. Ainda assim, a região registou menos despedimentos do que Lisboa e Vale do Tejo, onde se verifica um maior número de casos em 2025.
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