- A pesquisa identifica dois momentos evolutivos na dentição dos ursos: há 3,6 milhões de anos, Ursus minimus teve o segundo molar maior do que o previsto.
- Entre 1,25 e 0,7 milhões de anos, Ursus deningeri apresentou o terceiro molar maior do que o previsto.
- As mudanças coincidem com períodos de transformação ambiental e alterações de habitats, sugerindo adaptação alimentar.
- Os ursos não seguem o Modelo da Cascata Inibitória comum nos mamíferos, onde os molares crescem em cadeia em função da dieta.
- O estudo, realizado pela Staatliche Naturwissenschaftliche Sammlungen Bayerns, usa dentes fósseis para compreender milhões de anos de evolução climática e dietética dos ursos.
A equipa da Staatliche Naturwissenschaftliche Sammlungen Bayerns (SNSB), na Alemanha, revelou quando e por que os ursos deixaram de seguir o padrão de dentição observado na maioria dos mamíferos. O estudo, conduzido por Anneke van Heteren e Stefanie Luft, analisa mandíbulas modernas e fósseis com mais de 13 milhões de anos para entender a evolução dentária dos ursos.
Segundo a pesquisa, há dois momentos evolutivos decisivos. Primeiro, há 3,6 milhões de anos, o Ursus minimus apresentou o segundo molar maior do que o previsto, alterando o modelo clássico. Em seguida, entre 1,25 e 0,7 milhões de anos, o Ursus deningeri revelou um terceiro molar maior que o esperado.
A pesquisa sustenta que mudanças climáticas e a transformação dos habitats impulsionaram essas alterações. O estudo sustenta que, diante de novos ecossistemas e pressões alimentares, os ursos ajustaram a dentição de forma diferente da regra geral da cascata inibitória.
A explicação é que a evolução dentária dos ursos acompanhou a diversidade de dietas da espécie, que hoje varia desde o urso-polar, carnívoro, até o panda-gigante, quase herbívoro, com muitos indivíduos em posições intermediárias. O resultado indica que a dentição funciona como registro de adaptações ao ambiente ao longo de milhões de anos.
Análise adicional aponta que as mudanças ocorreram em contextos de transformação ambiental profunda, associando as alterações a períodos de climatologia e disponibilidade de alimento. Os autores destacam que a evolução dos dentes reflete uma história de adaptação marcada por desvios em relação às regras biológicas padrão.
O estudo reforça a visão de que a dentição dos ursos é uma cápsula do tempo evolutiva: revela padrões de adaptação e flutuações climáticas que moldaram o comportamento alimentar de diferentes espécies ao longo de milhões de anos.
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