- Estudo internacional liderado pelo Museo Nacional de Ciencias Naturales (CSIC) e pela Universidade de Évora conclui que a diversidade animal terrestre não segue a pirâmide ecológica descrita nos manuais.
- A investigação, publicada a 26 de novembro na Proceedings of the Royal Society B, analisou dados de mais de um milhão de espécies terrestres, representando mais de 90% das descritas.
- A distribuição global da diversidade apresenta uma estrutura quadrangular, com 46% de consumidores primários, 43% de consumidores de níveis superiores e 11% de consumidores mistos.
- Nos tetrápodes, a proporção de predadores ultrapassa a de herbívoros; nos artrópodes, a diversidade sustenta um padrão mais equilibrado.
- Os autores apontam que políticas de conservação devem considerar proporções tróficas uniformes e constrangimentos nas redes ecológicas.
Um estudo internacional, liderado por investigadores do Museo Nacional de Ciencias Naturales (CSIC) e da Universidade de Évora, contesta a ideia piramidal tradicional da biodiversidade. Publicado a 26 de novembro na Proceedings of the Royal Society B, analisa mais de um milhão de espécies terrestres, cobrindo mais de 90% das espécies descritas. Os resultados indicam uma distribuição da diversidade com formato quadrangular, mantendo proporções estáveis entre herbívoros, predadores e consumidores mistos.
Observando grandes bases de dados de traços biológicos, revisões taxonómicas e história natural, a equipa classificou cada espécie pela origem energética da dieta. Entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e mais de um milhão de artrópodes terrestres, as proporções globais são 46% de consumidores primários, 43% de níveis superiores e 11% de mistos. Acontecimentos variam com tetrápodes e artrópodes, mantendo padrões diferentes, mas estáveis.
Principais resultados
A análise mostra que, em tetrápodes, a proporção de predadores supera a de herbívoros, enquanto nos artrópodes há maior diversidade que sustenta o equilíbrio da rede. A pesquisa sugere que predadores podem divergir e persistir com riqueza específica elevada ao longo do tempo, desafogando o modelo de base quase sempre menos diversificado.
Implicações para conservação
Os autores destacam que políticas de conservação com impacto desproporcionado sobre predadores podem alterar a estrutura típica dos ecossistemas. Modelos de estabilidade ecológica devem integrar proporções tróficas constantes e considerar possíveis processos de seleção nas redes ecológicas. O estudo reforça a necessidade de compreender constrangimentos universais da distribuição da biodiversidade para prever respostas a alterações globais.
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