- Um estudo na revista Nature Climate Change analisa o stress térmico global entre 1950 e 2024, usando o Índice Climático Térmico Universal (UTCI); a Europa registou o aumento mais expressivo nos últimos dez anos em comparação com a década de 1970, chegando a diferenças de até 4 a 5 graus Celsius em alguns locais.
- As noites tropicais — temperaturas mínimas acima de 20 graus — aumentaram mais rapidamente do que as diurnas, elevando o risco para a saúde por dificultar a recuperação nocturna.
- Em comparação com a década de 1970, a Europa, o Norte de África e a Península Arábica registaram o maior ganho de UTCI nos dez dias mais quentes do ano, com aumentos de até 4 a 5 graus Celsius.
- O calendário do calor mudou: o stress térmico moderado começa a ser mais frequente em meados de maio e vai até quase outubro, enquanto o stress térmico forte inicia em junho; a Europa já apresenta um aumento da duração da estação de calor.
- Eventos compostos de calor seguidos de noites quentes estão a tornar-se mais comuns e duradouros, com aumento de 73% em dias de evento na Europa, 3,4 vezes mais episódios de 15 a 30 dias e sequências de até 120 dias quase a duplicarem. A população exposta a pelo menos um dia de stress extremo subiu de 16% para 22%.
O estudo publicado na Nature Climate Change analisa, pela primeira vez a escala global, como o stress térmico tem evoluído desde 1950. Usa o Índice Climático Térmico Universal (UTCI) para medir o calor sentido pelo corpo humano, considerando temperatura, humidade, vento e radiação.
Conclui que a ameaça é cada vez mais constante, com aumento da sensação térmica máxima nos dez dias mais quentes de cada ano. A Europa regista o aquecimento mais acentuado, seguido por Norte de África e Península Arábica, entre 1970 e o presente.
O relatório abrange dados globais até 2024 e alerta para a diferença entre temperatura do ar e sensação térmica, destacando que o UTCI pode exceder em até 4 a 5 graus a temperatura ambiente durante ondas de calor, sobretudo em condições húmidas.
O risco das noites tropicais
As noites com temperatura mínima acima de 20 graus, designadas noites tropicais, aumentam o risco para a saúde pública ao impedir o arrefecimento nocturno. O estudo mostra que as dez noites mais quentes do ano aqueceram mais depressa nos últimos anos.
Os investigadores destacam que o stress térmico prolongado, com noites quentes, pressiona o organismo e pode agravar doenças cardiovasculares, respiratórias e condições de saúde mental. Grupos mais vulneráveis incluem idosos e crianças.
A equipa científica sublinha que o calor já é a principal casa de mortalidade ligada a fenómenos meteorológicos globais e ressalva impactos adicionais em doenças crónicas. O estudo reforça a importância de informações rápidas e confiáveis para a proteção das populações.
O calendário do calor mudou
Os autores destacam que, na Europa, o calor extremo se expande geograficamente, atingindo regiões menos expostas no passado. Recomenda-se adaptar planos locais de saúde para o calor, com avisos precoces e intervenções urbanas, como centros de arrefecimento.
A análise indica que a estação de stress térmico moderado começa mais cedo e a de forte intensifica-se, com duração superior à observada na década de 1970. A duração média das sequências de calor prolongado aumenta significativamente.
Globalmente, a exposição da população a pelo menos um dia de stress térmico extremo subiu de 16% para 22%, equivalente a mais de mil milhões de pessoas, não explicado apenas pelo crescimento populacional.
O estudo conclui que o agravamento do stress térmico decorre de fatores climáticos e demográficos, reiterando a necessidade de estratégias de adaptação que atuem tanto de dia como de noite para proteger vidas e meios de subsistência.
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