- Cientistas chineses identificaram no oceano Índico o maior cemitério de baleias do mundo, com quase 500 esqueletos encontrados a 7.000 metros de profundidade, ao longo de um corredor de 1.200 quilômetros a oeste da Austrália.
- Os fósseis, com idades que chegam a até 5,3 milhões de anos, formam-se numa área associada a uma fossa em V que concentra os corpos no fundo do mar, segundo estudo publicado na revista Nature.
- O sítio fica na fossa Diamantina e envolve um ecossistema de águas profundas, com organismos ainda desconhecidos, ligados às carcaças das baleias.
- A maioria dos fósseis pertence às baleias-de-bico, incluindo uma espécie até então desconhecida, e os autores estimam que mais de dez milhões de esqueletos possam existir no fundo da fossa.
- Os tecidos moles das baleias representam cerca de 6,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono aprisionado, e os investigadores sugerem que outros sítios idênticos podem existir em zonas como as costas da África do Sul e da Península Ibérica.
Os cientistas chineses identificaram no oceano Índico o maior cemitério de baleias já conhecido. A descoberta, publicada na edição desta semana da Nature, descreve um conjunto de quase 500 esqueletos de cetáceos a grande profundidade.
Os fósseis estão localizados a cerca de 7000 metros de profundidade, num corredor de 1200 quilômetros a oeste da Austrália. Acredita-se que as baleias morreram na região, que funciona como fossa oceânica com um desvio em forma de V que encaminha os corpos para o fundo.
O estudo aponta que o ecossistema de águas profundas ali existente é completo, com organismos ainda por classificar pela ciência. A presença de esponjas, alforrecas, vermes e moluscos sugere ligações com comunidades hidrotermais.
Descoberta e método de recolha
A equipa utilizou o submersível chinês Fendouzhe para 32 mergulhos em 2023, recolhendo fragmentos com braços robóticos. O pesquisador principal descreve a necrópole como uma condição raríssima e de grande escala.
O líder do estudo, Xiaotong Peng, afirmou que a descoberta excede em muito as expectativas quanto à extensão, profundidade e idade dos esqueletos. O achado indica uma acumulação contínua de fósseis ao longo de milhões de anos.
Antes da expedição, já se sabia que cadáveres de baleias alimentam a fauna do fundo do mar. A pesquisa reforça a ideia de que esses corpos podem sustentar redes de vida em profundidades extremas.
Implicações ecológicas e estimativas
Entre os 485 fósseis identificados, grande parte pertence à baleia-de-bico, incluindo uma espécie ainda não descrita. Os autores estimam que mais de dez milhões de esqueletos possam existir na fossa Diamantina.
Os tecidos moles e lipídios das carcaças representam cicatricamente milhões de toneladas de CO2 retido. A equipa indica que o fenómeno pode ocorrer noutras zonas semelhantes, potencialmente na costa africana e na Península Ibérica.
A descoberta abre caminho para novas peças do quebra-cabeça sobre a vida nas profundezas e a preservação de ecossistemas únicos. As informações reforçam o papel dos fósseis na compreensão da história dos oceanos.
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