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Horas de calor duplicaram desde meados do século XX, afetam qualidade de vida

Calor extremo duplica horas com restrições à qualidade de vida desde meados do século XX, afetando jovens e idosos e exigindo medidas de proteção

Crianças brincam numa fonte na Expo em Lisboa. Uma onda de calor atinge Portugal Continental, com temperaturas acima dos 40°C. 3 de agosto de 2025. MIGUEL A. LOPES/LUSA
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  • Globalmente, as horas por ano de restrições graves da qualidade de vida associadas ao calor duplicaram entre 1950‑1979 e 1995‑2024, especialmente para adultos entre os 18 e os 40 anos.
  • Entre os 18 e os 40 anos, passaram de cerca de 25 horas por ano para aproximadamente 50 horas por ano; para quem tem mais de 65 anos, de cerca de 600 para cerca de 900 horas por ano.
  • Em 2024, mais de 43% dos jovens adultos e quase 80% dos idosos sofreram períodos em que o calor limitou severamente a qualidade de vida; em 1950, esses valores eram de 27% e 70%, respetivamente.
  • Regiões com maior aumento de calor que restringe atividades incluem o sudoeste e leste da América do Norte, sul da América do Sul, leste do Saara, grande parte da Europa, sudoeste e leste da Ásia e o sul da Austrália.
  • Os investigadores enfatizam a necessidade de proteção via refrigeração, infraestruturas adaptadas e mais árvores nas cidades, destacando que o acesso não é universal e que reduzir emissões de gases com efeito de estufa é essencial para evitar aumentos adicionais.

Nos últimos 20 anos, pessoas entre 18 e 40 anos enfrentaram cerca de duas vezes mais horas por ano de restrições graves da qualidade de vida associadas ao calor do que na década de 1950–1979. O estudo foi divulgado recentemente na revista Environmental Research: Health.

Globalmente, o tempo de exposição a calor que inviabiliza atividades diárias duplicou desde os anos 1950. Milhões de pessoas tiveram de enfrentar limitações alimentadas pela combinação de calor e humidade elevada.

Entre os jovens, o período 1995–2024 registou aproximadamente 50 horas anuais de restrições graves, frente a 25 horas entre 1950–1979. O aumento aplica-se a várias regiões, com variações locais.

Entre os maiores grupos de risco estão os maiores de 65 anos, que registaram cerca de 50% mais horas de calor limitante em comparação com meados do século XX. O fenómeno é global e persistente.

A pesquisa define restrições graves da qualidade de vida quando o calor impede atividades superiores a varrer o chão à sombra, devido a temperaturas altas e humidade elevada. O estudo foca em capacidades do corpo humano para atividades seguras.

Para chegar aos resultados, os investigadores estimaram o que as pessoas poderiam fazer em termos de atividade física sob diferentes níveis de calor e humidade, sem elevação excessiva da temperatura corporal. Utilizaram registos horários de 1950 a 2024.

Os dados foram cruzados com informações populacionais globais para identificar quem está mais exposto e onde as medidas de proteção devem ser priorizadas. O objetivo central é orientar políticas de proteção contra calor extremo.

O primeiro autor do estudo, da The Nature Conservancy, indica que adultos jovens registaram 25 horas de restrições no período inicial e cerca de 50 horas no quadro mais recente. Os idosos mostraram aumentos mais significativos.

Em 2024, ano particularmente quente, mais de 43% dos jovens adultos e quase 80% dos idosos experienciaram períodos com calor que limitou severamente a qualidade de vida. Em 1950, as percentagens eram 27% e 70%, respetivamente.

Regiões com maior aumento de calor que afeta a qualidade de vida incluem o sudoeste e leste da América do Norte, o sul da América do Sul, o Saara oriental, boa parte da Europa, o sudoeste e leste da Ásia e o sul da Austrália. Os padrões variam conforme o continente.

Estudos adicionais, liderados por Gottfried Kirchengast na Áustria, apontam aumentos de calor extremo em cerca de 10 vezes entre 2010 e 2024 em grande parte da Europa central e do sul, face ao intervalo 1961/1990. Alguns trópicos mostram restrições sazonais para idosos.

Os autores destacam que regiões vulneráveis, como África Subsariana e o sul da Ásia, devem registar rápido crescimento populacional, elevando a exposição. A refrigeração, infraestruturas adaptadas e arborização podem reduzir impactos, mas o acesso ainda é desigual.

Temperaturas acima de 30 graus Celsius geram stress térmico e afetam a saúde de muitas pessoas, com estimativas apontando para várias centenas de milhares de mortes anuais associadas ao calor extremo. As projeções indicam aumento de impactos sem mitigação.

O estudo sugere que reduzir o aquecimento global e a queima de combustíveis fósseis é crucial para conter o aumento de períodos com limitações de vida diária. Os autores concluem que o calor extremo tende a tornar-se mais comum com o envelhecimento populacional.

A equipa de pesquisa sublinha a necessidade de ações rápidas para proteger populações vulneráveis e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, evitando assim agravamento dos impactos do calor extremo no futuro.

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