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Migrantes agrícolas em Portugal enfrentam maior risco de tráfico humano

GRETA aponta maior risco de tráfico entre migrantes que trabalham na agricultura; em Portugal, 250 casos confirmados entre 2021 e 2024, incluindo 39 crianças

Relatório indica que os trabalhadores migrantes recrutados nos seus países de origem são por vezes explorados na agricultura sazonal
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  • Entre 2021 e 2024, em Portugal, 250 vítimas de tráfico foram confirmadas, num total de 690 alegadas vítimas, segundo o GRETA.
  • Os grupos mais vulneráveis são migrantes que trabalham na agricultura e portugueses de contextos socioeconómicos desfavorecidos, com exploração sobretudo na agricultura sazonal.
  • Das 250 vítimas confirmadas, 20 são portuguesas e 228 estrangeiras; existem 39 crianças entre as vítimas.
  • Em 2024 foram registadas 36 vítimas, menos 98 do que em 2023 (134); em 2022 houve 35 vítimas.
  • A maior parte dos casos está relacionada com exploração laboral, sobretudo na região Centro (Beja, Braga); exploração sexual infantil aparece sobretudo na Madeira; o GRETA recomenda melhoria na identificação de vítimas e no acesso a assistência jurídica e indemnizações.

O relatório do GRETA, grupo de especialistas do Conselho da Europa, indica que migrantes que trabalham na agricultura estão entre os grupos mais vulneráveis ao tráfico de pessoas em Portugal. O documento analisa o período entre 2021 e 2024.

Foram identificados 690 casos de alegadas vítimas, com 250 casos já confirmados. Entre as vítimas confirmadas, 39 são menores de idade e 32 são mulheres, 216 homens e duas vítimas não tiveram género ou nacionalidade divulgados.

Entre 2021 e 2024, Portugal registou 690 alegadas vítimas de tráfico, incluindo casos pendentes de investigação. As ONG também sinalizaram situações não reportadas às autoridades.

Em 2024, houve 36 vítimas confirmadas, menos do que as 134 identificadas em 2023. Para 2022, o GRETA aponta 35 casos, menos 10 face a 2021. A variação não impede tendências de fundo.

O perfil de risco

A maior parte dos casos está associada à exploração laboral, com 233 ocorrências ligadas a trabalho forçado ou condições precárias. A agricultura sazonal é citada como setor de maior exposição.

Distribuição geográfica

A região Centro concentra a maioria dos casos, com o distrito de Beja a representar o maior contingente, seguido pelo distrito de Braga.Estas dinâmicas ajudam a entender onde atuam redes de exploração.

Crianças e exploração

As crianças representam parte relevante das vítimas, com casos vinculados à exploração desportiva, casamento infantil e outras formas de abuso. Em 2024, atividades desportivas aparecem entre as vias de recrutamento.

Outras vulnerabilidades

Também aparecem grupos em situação de sem-abrigo, pessoas com deficiência e mulheres em situação de prostituição como alvos de tráfico. A Madeira é mencionada com casos de exploração sexual infantil, particularmente na fronteira com o arquipélago.

Conclusões do GRETA

O GRETA elogia avanços de Portugal no combate ao tráfico, mas solicita melhorias na identificação de vítimas. O objetivo é garantir acesso a apoio jurídico e a indemnizações, reforçando a proteção das vítimas.

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