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Itália: quatro trabalhadores imigrantes mortos queimados dentro de carro

Quatro trabalhadores imigrantes queimados vivos numa viatura na Calábria; investigação aponta para caporalato e possível ligação mafiosa

Calor entre trabalhadores agrícolas em Itália, 16 de setembro de 2020 (Foto AP/Alessandra Tarantino)
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  • Quatro trabalhadores agrícolas estrangeiros foram queimados vivos num carro numa área de serviço em Amendolara, Calábria, na segunda-feira, 1 de junho.
  • Dois paquistaneses, Safeer Ahmed e Ali Raza, ambos de 31 anos, foram detidos menos de 24 horas depois e são acusados de homicídio múltiplo, com base em imagens de videovigilância.
  • O procurador de Castrovillari, Alessandro D’Alessio, descreveu o episódio como gravíssimo, indicando que o caporalato é uma das pistas, mas não a única.
  • As vítimas tinham autorização de residência, viviam há anos na Itália e chegaram à Calábria depois de passarem pela Sardenha; os mortos são Waseem Khan (29), Amin Fazal Khogjani (28), Ullah Ismat Qiemi (19) e Safi Iayjad (27).
  • O único sobrevivente, Mohammad Taj Alamyar, de 35 anos, afirmou à Rai que os detidos exigiam dinheiro pelo transporte e que os autores seriam paquistaneses; descreveu o crime como “máfia”.

Na Calábria, Itália, quatro trabalhadores agrícolas estrangeiros foram trancados num carro e queimados vivos numa área de serviço da estrada 106, em Amendolara, na segunda-feira, 1 de junho. O incidente, registado junto de câmaras de videovigilância, levou à detenção de dois paquistaneses, Safeer Ahmed e Ali Raza, ambos de 31 anos, acusados de homicídio múltiplo. A investigação corre em Castrovillari.

O procurador Alessandro D’Alessio descreveu o episódio como de gravidade inaudita, pela violência e pelo número de vítimas. A investigação trabalha com a hipótese de exploração laboral organizada, conhecida como caporalato, entre outras hipóteses. As vítimas estavam em Itália com autorização de residência válida e viviam no país há anos.

Identificadas as vítimas, trata-se de quatro trabalhadores: o paquistanês Waseem Khan, de 29 anos, e os afegãos Amin Fazal Khogjani (28), Ullah Ismat Qiemi (19) e Safi Iayjad (27). Os homens eram parte de uma equipa que chegou à Calábria depois de passagem pela Sardenha.

O único sobrevivente, Mohammad Taj Alamyar, de 35 anos, descreveu à Rai uma cena de violência crescente. Ele afirma que os dois detidos exigiam dinheiro pelo transporte e, ao recusar, teriam lançado gasolina no habitáculo e ateado fogo. Alamyar relatou ainda ameaças com facas e pistolas, durante meses de trabalho sem contrato e com pagamento questionável.

Conforme o relato dos investigadores, o grupo vivia num alojamento fornecido pelos angariadores paquistaneses, com cerca de dez migrantes no total. O trabalho, que envolvia a apanha de morangos na região, decorria sem contratos formais nos primeiros dias, com ganhos de cerca de 45 euros por dia, acrescidos de dificuldades como pagamentos não assegurados.

O caso de Amendolara insere-se num quadro mais amplo de exploração laboral na agricultura italiana. Um relatório de 2022 estima que cerca de 230 mil imigrantes sejam explorados no setor, representando aproximadamente um quarto dos trabalhadores agrícolas. As regiões mais afetadas incluem Calábria, Apúlia e Sicília.

Sobre o arcabouço jurídico, a lei contra o caporalato foi adotada em 2016. A norma prevê responsabilização solidária de empregadores e angariadores, mas a aplicação prática tem sido lenta, dependente de inspeções e de ações judiciárias. A proteção aos que denunciam é prevista, mas os processos costumam ser longos, deixando migrantes vulneráveis.

A tragédia de Amendolara gerou reação institucional. A primeira-ministra Giorgia Meloni expressou pesar e pediu transparência na justiça. No âmbito sindical, está marcada para sábado uma manifestação da CGIL, com início na área de serviço onde ocorreu o crime e saída em cortejo até a praça de Amendolara.

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