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Vítimas de abuso sexual contestam indulto a ex‑padre norte-americano

Vítimas timorenses de abuso sexual opõem-se ao indulto ao ex-padre Richard Daschbach, afirmando que seria nova violência e impediria a reparação

Richard Dashbach, natural de Pittsburgh, nos Estados Unidos, reside em Timor-Leste desde 1996
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  • Um grupo de 15 vítimas timorenses de abuso sexual pelo ex-padre Richard Daschbach opõe-se a um eventual indulto ou comutação de pena proposto pelo presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta.
  • A oposição está numa carta aberta assinada pelo representante legal das vítimas, Olivio Barros Afonso, após o ministro da Justiça ter confirmado que o nome do ex-padre consta da lista para indultos.
  • Daschbach, natural de Pittsburgh, vive em Timor-Leste desde 1996, e foi condenado em dezembro de 2021 a doze anos de prisão por crimes de abuso de menores.
  • As vítimas descrevem os abusos como uma prática prolongada e sistemática contra meninas vulneráveis, deixando feridas profundas e, em muitos casos, irreparáveis.
  • O advogado argumenta que o indulto não deve basear-se apenas no comportamento prisional ou na idade, exigindo reconhecimento de culpa, arrependimento e respeito pelo sofrimento das vítimas para evitar injustiça.

O grupo de 15 vítimas timorenses de abuso sexual pelo ex-padre Richard Daschbach reiterou, nesta quinta-feira, a sua oposição a um eventual indulto a conceder pelo presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta. A posição vem por meio de uma carta aberta dirigida ao chefe de Estado, divulgada após o ministro da Justiça confirmar que o nome do ex-padre está na lista de beneficiários para indultos ou comutações de pena.

Daschbach, natural de Pittsburgh, vive em Timor-Leste desde 1996 e chegou a fundar dois lares para crianças em Topu Honis, Oecusse, em 1992. Em dezembro de 2021, foi condenado a 12 anos de prisão por crimes de abuso de menores no território timorense; nos EUA também enfrenta acusações de conduta sexual ilícita.

A carta aponta que as vítimas são crianças violadas ao longo de anos e que permanecem marcadas pelo que viveram. O documento descreve atos prolongados, sistemáticos e calculados, cometidos por alguém com responsabilidade de proteção.

Para o representante legal das vítimas, Olivio Barros Afonso, qualquer medida de clemência seria recebida como nova violência. Alega que não há reconhecimento inequívoco da responsabilidade por parte do condenado.

Olivio Barros Afonso sustenta ainda que a clemência não deve basear-se apenas no comportamento prisional ou na idade, pois não atesta reabilitação efetiva. O advogado critica a ausência de arrependimento público por Daschbach.

Segundo o representante, o arrependimento e o reconhecimento do dano devem orientar decisões de gravidade semelhante. Sem sinais visíveis de reabilitação, a concessão de indulto seria considerada injusta para as vítimas e um sinal preocupante para a sociedade timorense.

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