Apesar das declarações em tribunal, agentes da Esquadra do Rato não admitiram ter visto agressões, segundo a instrução criminal. O Ministério Público mantém dois arguidos para julgamento, com base em provas de testemunhas, vídeos e mensagens.
As investigações incluem ainda sete agentes indiciados por alegada tortura, num processo que permanece em fase de inquérito. O caso envolve alegadas agressões contra cidadãos em situação de vulnerabilidade.
Imagens e relatos
A juíza de instrução descreveu vídeos e mensagens de telemóvel que, segundo a acusação, comprovam abusos dentro da esquadra. Vítimas aparecem algemadas e sob pressão, com agressões físicas registadas em luvas de boxe e gasosas.
Relatos de uma das vítimas indicam coerência com as provas recolhidas, incluindo incidentes de agressão e intimidação. A magistrada destacou que o contexto de vulnerabilidade não compromete a credibilidade das testemunhas.
Do lado dos arguidos, alguns depoimentos são considerados contraditórios em relação à restante prova. A juíza manteve a leitura dos indícios suficientes para levar dois agentes a julgamento. Outros colegas também estão sob suspeita.
Desdobramentos processuais
Guilherme Leme e Óscar Borges enfrentam acusações separadas, com Leme em prisão preventiva e Borges em prisão domiciliária. Entre os crimes, constam tortura, violação e agressões físicas consumadas ou na forma tentada.
O caso começou a ganhar contornos públicos em outubro de 2024, com alegações de violação de uma pessoa em situação de sem-abrigo. O inquérito envolve ainda relatos de intimidar vítimas, incluindo insultos e coerção.
A juíza não indica, no despacho de remessa a julgamento, se foram emitidas certidões sobre depoimentos de outros colegas. Segundo o tribunal, as testemunhas não podem mentir em tribunal, differindo dos arguidos, cuja posição é de acusação.
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