Os familiares de presos políticos celebraram neste sábado o 100.º dia de vigílias à porta de prisões venezuelanas, enquanto aguardam a libertação no âmbito do processo de amnistia iniciado em fevereiro. O Rodeo I, perto de Caracas, é um dos locais de vigília.
No dia 8 de janeiro, cinco dias após a captura do Presidente Nicolás Maduro, o presidente do Parlamento Jorge Rodríguez anunciou uma saída de um “número significativo de pessoas” como gesto de paz. A notícia foi recebida como passo simbólico pelo governo.
Da parte das famílias, persiste a denúncia de mentiras e sofrimento. Andreína Baduel, do CLIPP, disse que a prisão continua a ser um local de tortura e que, nos últimos dias, o tratamento se intensificou. As vigílias mantêm-se com mensagens de justiça e libertação.
Os manifestantes exibiram cartazes com a inscrição de 100 dias à espera de cada preso, enquanto entoavam pedidos de justiça e liberdade para todos os detidos, aos quais identificam como inocentes. A organização mantém a fé na causa e reforça a dignidade das famílias.
Também se assinala que já passaram 14 dias desde a suspensão arbitrária de visitas ao irmão da ativista, Josnars Baduel. O familiar encontra-se detido, com receios sobre a sua condição de saúde, e é pedido prova de vida e libertação.
Número de detidos e andamento da amnistia
A ONG Foro Penal atualiza que há 477 pessoas detidas, incluindo 111 no Rodeo I. Até ao momento, as autoridades não publicaram a lista de amnistiados, apesar de pedidos da ONU para tornar públicas as identidades.
Mais de oito mil pessoas terão sido amnistiadas, segundo dados oficiais. O contexto internacional persiste com pedidos de transparência e de respeito pelos direitos humanos, sem que haja confirmação pública das identidades amnistiadas.
Entre na conversa da comunidade