A União Europeia apresentou um amplo pacote de soberania tecnológica com o objetivo de reduzir a dependência de serviços norte-americanos e chineses. A iniciativa foca tecnologias desenvolvidas na Europa, especialmente nuvem, IA, software de código aberto e semicondutores. A resposta das grandes potências ainda é incerta.
O anúncio foi feito pela Comissão Europeia, que pretende reforçar a infraestrutura digital do bloco. O objetivo é manter a Europa competitiva numa era em que geopolítica e tecnologia caminham juntas, segundo a vice-presidente executiva Henna Virkkunen.
O pacote prevê níveis distintos de soberania digital ao adquirir serviços de nuvem, conforme a sensibilidade de cada aplicação. O nível mais elevado abrange defesa e saúde, limitando contratos a fornecedores europeus.
Núcleo da medida: computação em nuvem e chips
O setor da computação em nuvem recebe atenção especial, com o domínio dos gigantes Google, Microsoft e Amazon a afetar fornecedores europeus. O objetivo é tornar as compras públicas mais favoráveis a empresas da UE, especialmente em setores estratégicos.
A proposta inclui incentivos para desenvolver infraestrutura própria de dados na UE, reduzindo a dependência de plataformas estrangeiras. Em paralelo, a Europa pretende voltar a posicionar-se na cadeia de produção de semicondutores, com foco na procura de chips europeus.
A aposta em chips envolve recuperar fabrico na região, após falhas na anterior Lei dos Chips. A Comissão aposta na diversificação de fornecedores, incluindo esforços para reduzir a dependência de produtores subsidiados pela China.
Perspetivas, retaliações e alianças
Analistas destacam que a IA é o eixo transformador da estratégia europeia, com centros de dados e chips a sustentar a próxima geração tecnológica. A UE pretende também integrar-se na iniciativa Pax Silica liderada pelos EUA para assegurar cadeias de abastecimento de chips.
As relações com Washington e Pequim são monitorizadas com prudência. Alguns recebem que a dependência de tecnologia estrangeira poderá motivar pressões políticas, embora haja avaliações de que o acordo Turnberry UE-EUA suaviza tensões transatlânticas.
Comentários e contexto estratégico
Especialistas apontam que a Europa precisa acelerar a construção de centros de dados e reduzir custos energéticos para responder à procura prevista de IA. A autonomização tecnológica europeia ainda depende de decisões a médio prazo, com resultados visíveis apenas em 2030, segundo Virkkunen.
A indústria europeia enfrenta ainda o desafio de atrair capital e simplificar o acesso a mercados únicos, pontos que a Comissão tenta endereçar com iniciativas como EU Inc. e a união dos mercados de capitais.
Conclusão prática
Em suma, a UE avança com um programa de soberania tecnológica que aborda nuvem, IA, código aberto e semicondutores. O objetivo é reduzir dependências críticas, diversificar fornecedores e fortalecer a autonomia estratégica, sem deixar de reconhecer a interdependência global. O impacto concreto e as reações das grandes potências permanecem em observação.
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