O eurodeputado francês Christophe Grudler, que vai liderar as negociações sobre a lei Made in Europe no Parlamento Europeu, afirmou à Euronews que a preferência europeia defendida pela Comissão Europeia é demasiado ampla. A medida visa orientar contratos públicos em setores estratégicos como tecnologias limpas, automóveis e indústria de energia intensiva.
Grudler criticou a clivagem entre uma definição alargada, defendida por defensores liderados pela Alemanha e países nórdicos, e uma posição mais restrita defendida pela França. O negociador destacou que o objetivo é evitar efeitos indesejados no comércio externo.
A proposta em análise pela Comissão Europeia, apresentada a 4 de março, tende para uma interpretação mais ampla, incluindo países terceiros com base em acordos existentes e no grau de abertura dos mercados. Grudler entende que há espaço para uma aplicação mais restrita.
Geografia como base
O eurodeputado defende que a referência geográfica deve prevalecer, limitando o Made in Europe aos países mais próximos da UE, começando pelo Espaço Económico Europeu: Islândia, Liechtenstein e Noruega. A Suíça é citada como potencial candidato devido ao acordo de contratos públicos com a UE desde 1989.
Também mencionou o Reino Unido como possível candidato, desde que as condições pós-Brexit sejam analisadas. A ideia é que a geografia seja um critério claro e que a Europa saiba tirar proveito financeiro da medida.
Grudler afirmou que a lei deve enviar um sinal forte aos investidores dos setores de energia intensiva e tecnologias limpas, reforçando a resistência da UE à concorrência considerada desleal. A China tem manifestado oposição à proposta, descrevendo-a como barreira ao acesso a contratos públicos e investimentos da UE.
Segundo o eurodeputado, a legislação visa proteger as indústrias estratégicas da Europa diante de subsídios externos, buscando equilíbrio no mercado global sem abrir espaço para práticas concorrenciais desleais.
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