- O Irão tem usado vídeos gerados por IA para ridicularizar o presidente norte-americano, a partir de ataques aéreos EUA-Israel de 28 de fevereiro, com um fluxo contínuo de conteúdos satíricos.
- Um vídeo recente, inspirado na estética dos anos oitenta, utiliza a canção Voyage, voyage, de Desireless, chamado Blockade, blockade, brincando com o bloqueio do estreito de Ormuz.
- O clipe já soma cerca de 8,6 milhões de visualizações, sinalizando eficácia da estratégia de trolling online.
- A embaixada iraniana na África do Sul partilhou o vídeo, que cruza referências da cultura pop ocidental com a guerra geopolítica atual.
- A cantora Desireless reagiu publicamente, afirmando que não autoriza o uso da canção para fins políticos e recusando consentimento para o uso da música.
Desde 28 de fevereiro, data dos ataques aéreos EUA-Israel contra o Irão, a retórica na guerra de conteúdos online intensificou-se com vídeos gerados por IA. O Irão tem respondido com uma série de peças satíricas que miram o estilo de Trump e da Casa Branca, numa forma de guerra memética.
A estratégia iraniana envolve clipes com bonecos em estilo Lego, slogans provocatórios e referências da cultura pop ocidental, produzidos por equipas ligadas a plataformas de divulgação de vídeos. A meta é explorar a economia da atenção e obter visibilidade global.
A guerra de conteúdos
Um dos vídeos mais vistos, partilhado pela conta Explosive Media, mostra uma versão de Trump com uma estética de Lego e humor satírico sobre a política externa. O conteúdo supera já vários milhões de visualizações, apontando para o impacto desta abordagem na esfera pública.
O vídeo de 80 s gerado por IA
O exemplo mais recente envolve uma canção dos anos 80, associada a uma figura do Irão, que canta sobre o bloqueio do estreito de Hormuz. A produção usa uma versão de Voyage, voyage de Desireless, numa montagem com o tema da disputa geopolítica, apresentada pela embaixada iraniana na África do Sul.
Reação de Desireless
A cantora Desireless respondeu publicamente, manifestando rejeição à utilização indevida da sua música para propaganda política. A artista afirmou não concordar com o uso sem consentimento e pediu que não fosse explorada para fins ideológicos.
Reação internacional e controvérsia
Enquanto alguns governos partilham conteúdos gerados por IA para retaliar, outros lembram que vídeos semelhantes já surgiram quando a Casa Branca divulgou materiais que combinam ataques reais com referências de filmes e jogos. O debate centra-se na ética, no respeito de direitos e no efeito minimizador da violência real.
Quem está por trás
A página de uma equipa iraniana de animação com estilo Lego, associada à Explosive Media, tem publicado vídeos que respondem aos ataques de Trump com sátira e referências da cultura popular. O grupo já alcançou um vasto público e demonstrou domínio de estilos visuais ocidentais.
Conclusão
Os conteúdos gerados por IA deram origem a uma nova forma de comunicação geopolítica, onde memes e sátira podem influenciar a percepção pública. O confronto entre Irão e EUA continua a evoluir para além de ações militares, impactando a comunicação digital em escala global.
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