- Henrique Ribeiro é o único artesão em Portugal a produzir o “panu di téra” (pano de terra) e alerta para as imitações do tecido histórico de Cabo Verde.
- As linhas de algodão usadas são agora provenientes do Senegal, tendo ele trabalhado no Cabo Verde, onde plantava o algodão e tinturava o fio com urzela para obter o preto azulado.
- O artesão, de 56 anos, desenvolve o trabalho na Associação para a Mudança e Representação Transcultural (AMRT), em Loures, onde recebe encomendas de cabo-verdianos e, cada vez mais, de portugueses.
- Existem vários padrões: o mais comum é o Panu di Bitxu (com motivos de animais), o Panu Txan (liso) e o Panu di Obra (mais elaborado e caro).
- Ribeiro costuma produzir aproximadamente uma tira e meia de panu di téra, com 1,80 metros, e tem dedicado tempo a ensinar a arte a alunos em várias localidades, defendendo a transmissão geracional do saber frente às imitações estrangeiras.
O único artesão em Portugal a produzir o panu di téra alerta para as imitações deste tecido histórico de Cabo Verde. Henrique Ribeiro tem 56 anos e vive em Portugal desde 2018. O tear é o seu instrumento de trabalho.
Nas instalações da Associação para a Mudança e Representação Transcultural, no Talude, Loures, Henrique expõe uma meada de algodão trazida de Cabo Verde. O algodão é encerado com tintura natural. O tecido representa uma memória viva.
A peça começa nas linhas de algodão, hoje provenientes do Senegal. O artesão explica que, no passado, o cultivo era feito em Cabo Verde, com tingimento com urzela, que dava um preto azulado duradouro.
Padrões tradicionais e ensino
O Panu di Bitxu, com padrões em relevo e imagens de animais, é o mais vendido. O Panu Txan é simples e liso, enquanto o Panu di Obra é o mais elaborado e caro. Henrique mostra vários exemplos no espaço da AMRT.
Em Portugal, a demanda está a crescer entre cabo-verdianos e também entre portugueses. O artesão recorda que, em Cabo Verde, o panu di téra era comum como adorno, vestuário e meio de transporte de crianças.
Henrique aprendeu a arte aos 17 anos, em São Miguel, na ilha de Santiago. Hoje diz que o desenho é essencial para gravar nos fios e que a prática se aprende a partir da experiência.
Conservação da técnica
O artesão ressalva a necessidade de transmitir o saber às novas gerações. As imitações, sobretudo chinesas, ganham terreno, diminuindo a procura de tecido autêntico, o que preocupa a preservação da técnica.
Rolando Borges, da AMRT, afirma que há planos para uma oficina comunitária que permita aos visitantes ver, aprender e experimentar a arte. O projeto visa acolher cabo-verdianos e lusófonos.
Ponto-chave: Henrique Ribeiro mantém-tear portátil para sessões em eventos, com o desafio de deslocar o equipamento. O objetivo é manter viva a tradição sem depender de intermediários.
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