- A ESMA, liderada pela presidente Verena Ross até outubro de 2026, trabalha para fortalecer investidores, mercados estáveis e a proteção financeira na UE.
- Cerca de 37 biliões de euros permanecem praticamente imobilizados na UE, e a SIU (União da Poupança e do Investimento) pretende integrar melhor os mercados de capitais para reduzir a dependência do crédito bancário.
- Ross afirma que a Europa precisa de um mercado de capitais mais profundo e líquido, comparando com os EUA, e de facilitar o acesso a informação clara e ferramentas de comparação de investimentos.
- A fragmentação dos mercados nacionais é vista como a principal barreira; reduzir barreiras pode tornar a Europa mais atractiva para investimento externo e apoiar o crescimento económico.
- Destaques do futuro incluem diminuir a dependência do crédito bancário, ampliar opções de financiamento para empresas e alertar para riscos do uso indevido de informação financeira de IA e “finfluencers”.
Verena Ross, presidente da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA), prepara-se para deixar o cargo em outubro de 2026. A entrevista foi publicada na série The Big Question, da Euronews, com Angela Barnes.
A ESMA tem trabalhado para avançar com a União dos Mercados de Capitais (CMU), agora rebatizada como Savings and Investments Union (SIU). A meta é reduzir a fragmentação dos mercados europeus e aumentar o uso de financiamento além do crédito bancário.
Ross aponta que existe uma dispersão entre os 27 mercados nacionais e um verdadeiro mercado de capitais europeu. A sua ideia é facilitar o acesso a informação clara e ferramentas de comparação para que os cidadãos invistam de forma mais consciente.
Desafios e prioridades da Europa
A responsável explica que a literacia financeira na Europa é variável, mas não resulta apenas de falta de vontade de aprender. Nos EUA, a ausência de pensões públicas garantidas implica participação direta na poupança para a reforma.
Defende que o acesso a informação compreensível e a melhores instrumentos de comparação ajudam os europeus a entender riscos, custos e oportunidades dos mercados de capitais. A proposta visa tornar a Europa mais atractiva para investidores.
Impacto no financiamento das empresas
A dependência de crédito bancário continua elevada na Europa, o que pode deixar empresas mais expostas em cenários de crédito mais restrito. A SIU pode diversificar as fontes de financiamento disponíveis.
Ross destaca que uma poupança bem canalizada pode apoiar investimentos produtivos, fortalecendo empresas e a economia europeia. O objetivo é reduzir barreiras entre mercados nacionais para um mercado único mais profundo.
Futuro do investimento e riscos tecnológicos
A presidente alertou para riscos de informação financeira de qualidade duvidosa fornecida por finfluencers e por inteligência artificial. Embora a IA tenha potencial, pode introduzir enviesamentos ou dados incorretos.
O plano é que o sucessor de Ross continue a desenvolver o mercado de capitais europeu, com uma visão de profundidade, liquidez e acesso para capital externo. O objetivo é uma economia europeia mais competitiva.
Perspectivas a 10-15 anos
Ross espera que, dentro de 10 a 15 anos, haja um mercado de capitais europeu profundo e líquido, capaz de financiar empresas e sustentar o crescimento. O caminho depende da implementação efectiva da integração dos mercados.
A entrevista encerra com a ideia de que a transformação depende de progressos na integração e de uma compreensão pública mais sólida sobre os mercados de capitais.
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