- Testemunha Lourenço Lobo depôs em tribunal no âmbito da Operação Marquês, dizendo que Ricardo Salgado tomava todas as decisões no Grupo Espírito Santo.
- Explicou um esquema de pagamentos em que funcionários recebiam via ES Resources e, depois, eram faturados pela ES Enterprise, alegando confidencialidade.
- Em meados de 2013 foi convidado por José Castella para ser administrador de 17 empresas do grupo, situação descrita como provável estrutura offshore.
- O grupo possuía um organigrama com trezentas empresas lideradas por Salgado, atualizado a cada trimestre.
- Ricardo Salgado é arguido de branqueamento de capitais e corrupção; José Sócrates é o principal arguido do processo, com 22 crimes em análise.
Um antigo contabilista do Grupo Espírito Santo explicou em tribunal que centenas de empresas do grupo operavam sob a orientação de Ricardo Salgado. O depoimento ocorreu na sequência do julgamento da Operação Marquês, desta quinta-feira.
Lourenço Lobo contou que trabalhava sob a tutela de José Castella, o controlador financeiro do GES, que chegou a ser arguido no processo do banco, mas faleceu em 2020. Segundo o testemunho, Salgado era quem tomava as decisões, independentemente da relevância das questões.
O depoente descreveu um esquema contábil complexo, incluindo pagamentos a trabalhadores de empresas do grupo através de entidades intermédias. As despesas eram registadas em entidades diferentes por razões de confidencialidade, com faturação posterior a outra entidade.
Foi ainda referido que, em meados de 2013, Castella convidou Lobo para ser administrador de 17 empresas de uma vez. O testemunho sugere que várias eram entidades off-shore, uma ideia que ele acabou por recusar, rasgando as cartas de nomeação.
O grupo GES era gerido por um organigrama com cerca de 300 empresas, mantido atualizado trimestralmente, segundo Lourenço Lobo. Este detalhe ilustra a dimensão do controlo de Salgado sobre a rede de sociedades do grupo.
Ricardo Salgado é um dos 21 arguidos da Operação Marquês, acusado de oito crimes de branqueamento de capitais e três de corrupção ativa. José Sócrates é o principal arguido, enfrentando 22 crimes, incluindo corrupção.
Entre na conversa da comunidade