- Um acampamento de ativistas, entre 17 e 19 de abril, reuniu cerca de mil pessoas em Callús, Catalunha, para denunciar as minas de sais geridas pela Iberpotash (filial da Israel Chemicals Ltd., ICL) em Sallent, Balsareny, Vilafruns e Súria.
- Os protestos acusam a ICL de poluir a bacia do Llobregat com resíduos de escombreiras, formadas sobretudo por sal (cloreto de sódio) que se dissolve na salmoura e contamina aquíferos e rios.
- Também é alvo de críticas a produção de fósforo branco pela ICL, ligado ao uso militar no Líbano e em Gaza, com denúncias de organizações de direitos humanos.
- A Comissão Europeia abriu, em 2014, um processo de infração contra Espanha por apoio ilegal à Iberpotash e ordenou a recuperação de montantes públicos, relacionados com decisões tomadas entre 2006 e 2008.
- O movimento inclui o documentário Sal a la ferida e afirmou que o fosforo branco não fica apenas nos EUA, com alegações de redes de revenda e impactos humanos na região, enquanto o processo de restauração das instalações tem prazos longos e envolve grandes volumes de resíduos nas escombreiras.
Cerca de mil pessoas participaram entre 17 e 19 de abril numa acampada de protesto no Bages, Barcelona, contra as minas de sais de sódio e potássio geridas pela Iberpotash, filial ibérica da Israel Chemicals Ltd. (ICL). A mobilização também denunciou danos ambientais associados à empresa e a alegadas ligações ao fósforo branco usado em fins militares.
O movimento é apoiado por várias plataformas de longa data na região, que apontam para poluição histórica e acumulação de resíduos nas escombreiras. As águas da área, incluindo o rio Llobregat, seriam afetadas pela infiltração de salmoura contaminada proveniente das instalações da ICL, agravando a seca na Catalunha.
Contexto ambiental e humanitário
Os manifestantes destacam a produção de fósforo branco pela ICL, substância com altos riscos de queimaduras e difícil repressão de incêndio. A denúncia assenta em relatos de organizações de direitos humanos sobre o uso desta substância em conflitos no Líbano e em Gaza, com contratos de fornecimento aos EUA indicados pela ICL.
A ligação entre a atividade da ICL e crises no Médio Oriente é apresentada como parte de uma crítica mais ampla à atuação da empresa, incluindo debates sobre práticas de gestão de resíduos e uso de recursos hídricos. Organizações locais e internacionais acompanham o caso e pedem ações de restauração ambiental.
Documentário e ações de protesto
Foi lançado o documentário Sal a la ferida, que investiga o impacto ambiental no Bages e Baix Llobregat, incluindo entrevistas a agricultores, investigadores e ativistas. O filme sugere que o fósforo branco não permanece apenas em território estrangeiro, apontando para redes de revenda associadas a interesses militares.
Durante a acção em Callús, vários participantes realizaram atividades pedagógicas e ações diretas, como visitas às escombreiras e interrupções limitadas de trechos da linha férrea que liga Sallent a Barcelona, com o objetivo de evidenciar o problema aos olhos do público.
Panorama da mineração na região
A rede de escombreiras de salinas, sobretudo a do El Cogulló, acumula milhares de toneladas de resíduos, classificados como salmoura de alta toxicidade. A administração ambiental europeia abriu, em 2014, um processo contra Espanha por apoiar a Iberpotash com auxílios considerados ilegais, levando a ordens de recuperação de fundos públicos investidos indevidamente.
Dados oficiais indicam que oito trabalhadores morreram entre 2011 e 2023, entre mineiros e geólogos, em acidentes na operação ou no transporte de material. As responsabilidades envolvem também a gestão de várias minas na comarca, com impactos ao longo de décadas.
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