Nos consultórios, os suplementos alimentares tornaram-se tema recorrente entre médicos de família. O fenómeno envolve uso crescente para emagrecimento, reforço muscular, menopausa ou cognição, e chega muitas vezes via redes sociais. A prática preocupou várias unidades de saúde, que veem riscos para a saúde pública.
Em Beja, uma médica de família relata três casos de mulheres com esclerose múltipla que abandonaram a medicina tradicional e recorrem a doses elevadas de vitamina D. A médica descreve a situação como um aviso: a proliferação de suplementos é um perigo que se espalha para além das zonas urbanas.
Médicas de várias regiões concordam numa tendência: a desinformação alimenta a crença de que suplementos substituem tratamentos comprovados. O fenómeno é alimentado por promessas de resultados rápidos e pela noção de que o que é natural é sempre seguro. A prática coloca questões sobre valor terapêutico e fidedignidade das fontes.
As profissionais apontam que a desinformação chega principalmente pelas redes sociais e, cada vez mais, pela inteligência artificial. Utentes chegam com informações já estudadas, muitas vezes extraídas de chats ou vídeos de influenciadores, antes mesmo de consultarem o médico. A passagem direta para a suplementação sem acompanhamento médico é uma preocupação constante.
Perante este cenário, especialistas destacam a necessidade de questionar pacientes sobre a toma de suplementos, já que muitos não o referem espontaneamente e alguns podem ter interações com tratamentos em curso. Embora alguns suplementos possam ser úteis em deficiências específicas, a generalização e o consumo sem supervisão aumentam custos e potenciais riscos.
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