A OCDE publicou um relatório que projeta um impacto relevante das doenças não transmissíveis no PIB entre 2026 e 2050. O estudo aponta que, sem medidas, o PIB dos países da OCDE pode ficar cerca de 4% abaixo do patamar esperado. O foco é nas doenças crónicas como cancro, diabetes, cardiovasculares e respiratórias.
Entre 1990 e 2023, a prevalência de cancro aumentou 36% e de doenças respiratórias 49% na OCDE. As patologias cardiovasculares subiram 27%, a diabetes 87%, elevando o peso destas doenças em mortes prematuras para 44% e aumentando o risco de doença mental em até 25%.
Impacto em Portugal
Análise específica para Portugal indica que a diabetes é a doença crónica com maior impacto económico, reduzindo o PIB em 1,37%. O cancro baixa esse indicador em 1,23%, as cardiovasculares em 0,81% e as respiratórias em 0,71%.
Perspectivas e custos
Em 2023, cerca de 1 em cada 10 habitantes da OCDE vivia com diabetes e 1 em cada 8 com doença cardiovascular. A obesidade surge como principal fator de risco, afetando quase 20% dos adultos. A obesidade também neutraliza parte dos ganhos de saúde obtidos com melhorias ambientais.
Prevenção e custos futuros
Entre 2026 e 2050, a OCDE antevê mais de 233 mil novos casos de doenças não transmissíveis por ano. Se a obesidade tivesse ficado nos níveis de 2010, haveria menos 1,1 milhão de casos, segundo os autores.
Benefícios da intervenção
Sem o peso destas doenças, a força de trabalho seria mais saudável, com menos ausências. A OCDE estima ganhos equivalentes a 18 milhões de trabalhadores em tempo inteiro adicionais.
Caminhos recomendados
O relatório defende uma abordagem integrada: políticas públicas que informem a população, ambientes que incentivem hábitos saudáveis e reforço dos cuidados primários de saúde para prevenção e acompanhamento. A prioridade costuma ser a obesidade.
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