À boleia do Dia Mundial da Asma, a notícia confirma que, em Portugal, o acesso a terapêuticas biológicas para asmáticos graves permanece limitado e complexo. A doença, uma forma crónica de inflamação brônquica, provoca crises frequentes que afetam diariamente a qualidade de vida.
Segundo o médico imunoalergologista João Fonseca, cerca de 700 mil pessoas vivem com asma no país, sendo menos de 5% do grupo com asma grave. Estas situações geram episódios de fadiga, tosse persistente e dificuldade respiratória que podem levar a hospitalizações e ausências laborais.
Ana Gonçalves, presidente da Associação Asma Grave, relata casos pessoais de diagnóstico precoce na família e revela que, para si, a vida diária passou a depender de cuidadosa gestão de sintomas. A crise pode obrigar a limitar atividades simples, como subir escadas ou rir sem esforço.
Para muitos pacientes, o tratamento tradicional com corticosteroides a longo prazo traz efeitos secundários relevantes, incluindo impactos oculares, ósseos e metabólicos. A aposta recai sobre terapêuticas biológicas, que atuam de forma específica na cascata imunitária, com boa eficácia e segurança relatadas por especialistas.
No entanto, o acesso a estas terapêuticas é descrito como uma verdadeira corrida de obstáculos. A asma grave não consta da portaria que permite financiamento privado com comparticipação do Estado, o que obriga os doentes a passar pelo SNS mediante referência de médico de família.
O tempo de espera para iniciar terapêuticas biológicas é um entrave significativo. Em março, a consulta de imunoalergologia na ULS do Alentejo Central apontava para 582 dias de espera, colocando em risco a continuidade de tratamento e aumentando a pressão sobre o SNS.
Ana Gonçalves explica que, após ser aceites pelo SNS, surgem ainda barreiras orçamentais e critérios de comissões de farmácia, que variam entre regiões. Mesmo assim, a responsável pretende manter a via de acesso no sistema público, com a esperança de uma melhoria gradual.
A presidente enfatiza que prolongar o uso de corticosteroides para evitar terapêuticas biológicas coloca a vida dos pacientes em risco e aumenta o peso financeiro no SNS, incluindo consultas, exames repetidos e urgências. A visão partilhada por João Fonseca é semelhante.
Pelo lado institucional, o SNS reconhece a sobrecarga generalizada e a necessidade de soluções coordenadas. A falta de inclusão da asma grave em regimes especiais tem levado associações a defender uma extensão de direitos para estas terapêuticas, incluindo cartas e audiências parlamentares desde 2025.
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