O surto de hantavírus a bordo de um cruzeiro no Atlântico levou à morte de três passageiros, segundo a Organização Mundial de Saúde. O navio MV Hondius percorreu a rota entre Argentina e Cabo Verde; entre as vítimas estava um casal holandês, e um britânico permanecia em terapia intensiva na África do Sul. As autoridades seguem investigando as circunstâncias.
O hantavírus é um grupo de vírus encontrado principalmente em roedores. Existem pelo menos 38 espécies identificadas, com 24 capazes de infectar humanos. A transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas inaláveis de fezes, urina ou saliva de roedores, e pode ocorrer por mordida ou arranhão, embora menos frequente.
A doença pode evoluir para febre hemorrágica com síndrome renal, mais comum na Europa e na Ásia, afetando os rins. Em humanos, os sintomas surgem em uma a duas semanas e incluem fortes dores, febre, náuseas e alteração visual. Nos Estados Unidos, a forma predominante é a Síndrome Pulmonar por Hantavírus, com aparecimento de sintomas entre uma e oito semanas, tendo impacto respiratório significativo.
Globalmente, estima-se que ocorram cerca de 150 mil casos anuais de hantavírus, com maior incidência na Europa e na Ásia; mais da metade ocorre na China. Entre 1993 e 2023, o CDC registou 890 casos nos EUA. A forma pulmonar tem taxa de mortalidade elevada, com cerca de 38% dos pacientes que desenvolvem sintomas respiratórios vindo a falecer.
Não há tratamento específico para a infeção pelo hantavírus. O manejo clínico é de suporte, com repouso, hidratação e, em casos graves, suporte respiratório. A Síndrome Hepato-Pulmonar pode exigir ventilação ou diálise, dependendo da evolução clínica.
Medidas de prevenção centram-se na redução da exposição a roedores. O CDC recomenda eliminar fontes de alimento, vedar acessos a roedores, cobrir buracos e usar armadilhas em ambientes domésticos, de trabalho e campismo, para diminuir o risco de infeção.
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