O comandante nacional da Proteção Civil mostrou-se preocupado com a saída de profissionais da autoridade, nomeadamente de comandantes. Nos últimos 18 meses, cerca de 10 elementos deixaram a estrutura de comando. A declaração ocorreu durante a Comissão Parlamentar de Inquérito aos incêndios rurais.
Mário Silvestre afirmou que a ANEPC está a perder ativos altamente qualificados e treinados, muitos formados na própria instituição. O foco esteve também nos incêndios nocturnos, que ganham relevância na gestão atual do serviço público.
Questionado sobre transferências para o ICNF e a AGIF, o militar reconheceu o problema de retenção. Livros de carreira e salários aparecem como fatores que condicionam a permanência de quadros na Proteção Civil.
Críticas à AGIF
O comandante concorda com a existência da AGIF, criada após os incêndios de 2017, mas considera o seu modus operandi pouco feliz. Defende uma visão holística do sistema para integrar as várias fases de atuação.
Foi referido que a AGIF acabou por colidir com competências de entidades existentes e não soube interpretar o papel definido. O responsável elogiou o programa Aldeia Segura, Pessoas Seguras, mas apontou que é facultativo.
Falta de coordenação não é o problema
Silvestre rejeitou a ideia de que a falta de coordenação ou de meios explicar a maioria dos fogos rurais. Afirmou que 93% dos incêndios são contidos nos primeiros 90 minutos, com uma taxa de sucesso de 98%.
Explicou que a concentração de ocorrências aumenta em dias de severidade meteorológica e durante a noite, gerando stress no sistema. Em 2025 houve dias com incêndios nocturnos a representar cerca de metade do total diário.
O comandante indicou que alguns casos nocturnos iniciam junto a habitações isoladas, com causa provável de gestão do fogo associada a ambiente de pressão social e atividades no quintal. A conclusão é empírica e partilhada na CPI.
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