Na última década, o uso do telemóvel ao volante tornou-se um comportamento de risco amplamente difundido em Portugal. Dados da GNR indicam 208 mil infrações entre 2015 e 2025, com uma média de 57 condutores por dia, e uma tendência de queda gradual. A PSP regista 33.882 infrações entre 2021 e 2025, com o pico em 2021.
Segundo as autoridades, este fenómeno persiste em zonas urbanas como Porto e Lisboa, e envolve condutores que consultam redes sociais, respondem a mensagens ou utilizam o GPS com o veículo em andamento. Em 2026, os registos já ultrapassaram 4 mil infrações nos primeiros três meses.
Especialistas destacam que a distração provocada pelo telemóvel aumenta a distracção cognitiva, reduz a atenção e diminui o tempo de reacção. A leitura de mensagens a 50 km/h pode traduzir-se em distâncias de travagem insuficientes perante peões ou carros à frente, elevando o risco de acidentes graves.
Perigos e impactos
A distracção digital implica várias alterações no funcionamento executivo do cérebro, afectando a memória, atenção e destreza manual. Ao olhar para o telemóvel, o condutor pode perder informação relevante e perder tempo de reacção crítico em situações de trânsito.
Entre 2023 e 2025, o uso do telemóvel ao volante esteve na origem de mais de 12 mil acidentes de viação, com pelo menos um condutor distraído durante a ocorrência. Em termos de prevenção, a GNR considera os números preocupantes e continua a reforçar campanhas de sensibilização e fiscalização.
Ainda que haja uma perceção de alta incidência entre utilizadores jovens, entidades como a Prevenção Rodoviária Portuguesa defendem que o número real de condutores que utilizam telemóvel à condução é superior aos registos oficiais. A situação atual exige resposta contínua das autoridades e campanhas de educação rodoviária para reduzir comportamentos de risco.
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