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Pesquisadora defende diálogo com a tecnologia, não apenas seu consumo

Investigadora defende que a IA acelera ideias e prototipagem, mas não substitui repertório nem autoria, exigindo nova alfabetização digital.

Na avaliação da pesquisadora Giuline Bastos, a Inteligência Artificial se apresenta como uma ferramenta com múltiplas possibilidades
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Giuline Bastos, pesquisadora brasileira, está em Portugal para debater os impactos da Inteligência Artificial na comunicação contemporânea. Em encontros no Porto e em Lisboa, analisa como a IA acelera ideias sem substituir repertório, senso crítico ou autoria na produção de conteúdo. O tema é apresentado como infraestrutura capaz de potenciar velocidade, organização de pensamento e prototipagem.

Formada em Comunicação Social, Bastos traz mais de uma década de experiência como roteirista e estrategista de narratives, com atuação em televisão, jornalismo e produção audiovisual. Atualmente, está a concluir um mestrado em Análise e Gestão de Políticas Internacionais, com foco em resolução de conflitos e no papel da IA em dinâmicas modernas de comunicação, média e crises.

Numa quinta-feira (23/04), a investigadora orienta o workshop Prompt Criativo para escrita em redes sociais, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, entre 16h30 e 18h. A iniciativa integra a Mentoria U.Porto, que promove a partilha de conhecimento entre áreas académicas.

Ferramenta de múltiplas possibilidades

Para profissionais da comunicação, a IA surge como uma ferramenta com várias hipóteses de utilização, especialmente entre estudantes. Segundo Bastos, a IA funciona como laboratório pessoal para aprender, testar estilos, revisar textos, estruturar raciocínio e treinar argumentação. *A diferença está em saber conduzir a IA com intenção.*

A pesquisadora compara o momento atual a uma transformação de grande escala, semelhante à passagem do mundo físico para o digital. A mudança não se restringe ao formato, atingindo a noção de presença. Tecnologias que recriam vozes ou juntam artistas de épocas distintas colocam questões de memória, identidade e emoção.

Como profissional de comunicação, Bastos sublinha dois olhares: o encanto pela possibilidade de preservar e expandir obras, e o cuidado necessário para definir limites quando tudo pode ser recriado. *É quase uma extensão da memória cultural*, mas exige responsabilidade na definição de fronteiras.

Continuidade de debates em Lisboa

No dia 28, Giuline Bastos dirige o workshop Prompts Criativos, Futuro e Ética no Mercado, na Universidade Nova de Lisboa, no campus da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH). A atividade amplia o debate sobre o uso consciente da tecnologia em ambientes criativos e profissionais.

Contexto e responsabilidade

Bastos defende que o avanço da IA reforça a importância da narrativa na comunicação. Mais do que ferramentas, o entendimento de contexto, intenção e responsabilidade é crucial para que o conteúdo dialogue de forma relevante com o público. A IA não cria cultura de forma autónoma, redistribui elementos já existentes, cabendo ao humano atribuir sentido.

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