Os serviços secretos suecos afirmam que a economia russa está pior na prática do que indicam os dados oficiais. Segundo a agência, Moscovo manipula estatísticas, em especial o défice orçamental e a inflação, para transmitir uma imagem de resistência às sanções e aos custos militares.
Thomas Nilsson, chefe da inteligência militar sueca, disse ao Financial Times que a inflação real na Rússia é superior à divulgada pelo Banco Central, estando mais próxima de 15% do que de 5,86%. Alega também que o défice orçamental está subestimado em cerca de 30 mil milhões de dólares, conforme avaliação de fontes alemãs.
Nilsson avança que a Rússia enfrenta um dilema entre recessão de longo prazo ou choque económico, com trajetória descrescente que pode levar a uma crise financeira. Alegou ainda que Moscovo está endividado e que existem indicadores que apontam para risco de crise bancária iminente, sem detalhar esses indicadores.
A Suécia está a pressionar para acelerar um novo pacote de sanções contra a Rússia, visto como crucial para a Europa, segundo a leitura de Maria Malmer Stenergard, ministra dos Negócios Estrangeiros. O objetivo é avançar com medidas mais cedo, evitando atrasos considerados prejudiciais.
Existem divergências entre avaliações oficiais e análises independentes. O Financial Times cita previsões internacionais que apontam para inflação a baixar para perto de 5% no final do ano, enquanto o FMI aponta 5,6% na sua projeção de abril. Putin reconheceu dinamismo negativo, atribuindo-o a fatores sazonais e climáticos do período de inverno.
Analisando o impacto económico, os peritos independentes sustentam que a indústria civil tem sido sacrificada pela prioridade ao complexo militar. O ministro do Desenvolvimento Económico reconheceu que os recursos estão amplamente esgotados, e o presidente do Sberbank indicou que a economia já está a cair, com alerta para incumprimentos.
Se o preço do crude permanecer estável e houver tréguas no Médio Oriente, Nilsson prevê dificuldades adicionais para financiar os custos da guerra na Ucrânia. O modelo económico atual não compensa perdas militares, e várias indústrias de defesa continuam a enfrentar problemas de rentabilidade e corrupção.
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