A ativista e técnica de juventude que trabalha numa associação juvenil e foi eleita na Assembleia de Freguesia de Montijo e Afonsoeiro denuncia a desvalorização da voz jovem e feminina na política nacional. Nos últimos quatro anos, tem observado que a credibilidade de uma ideia depende da idade e do sexo de quem a apresenta, não do conteúdo.
Em reuniões, o contributo técnico é muitas vezes recebido com sorrisos condescendentes ou silêncios. A proposta ganha peso apenas quando é repetida por alguém mais velho, de género masculino. Esta validação por procuração ilustra uma prática que trata a juventude feminina como menos capaz.
Este fenómeno, segundo a autora, indica que a juventude feminina não é vista como parte essencial do futuro, mas como uma fase de menoridade. A professora, psicóloga em formação, aponta que a dinâmica favorece a antiguidade, desculpando erros de homens e desvalorando acertos de jovens mulheres.
Desafios na prática
Nas associações e autarquias, a participação é muitas vezes recolha de fotografias para cumprir quotas. Contudo, decisões orçamentais e estratégicas costumam ficar reservadas a homens, enquanto as mulheres são constrangidas a papéis secundários.
A autora afirma ter experiência de associativismo que permite perceber problemas reais de quem está a iniciar a vida adulta. A voz jovem não precisa de tradução ou de aprovação masculina para ter peso, afirma, defendendo competência demonstrável.
Impacto e perspetivas
A ideia central é que a valorização de mulheres jovens não é cortesia, mas condição para a sobrevivência institucional. Se o estatuto de quem tem cabelo branco continua a ser privilegiado, o país continua a caminhar com o espelho retrovisor.
A autora conclui que o lugar de uma mulher jovem deve ser definido pela sua competência, não pela conformidade com estereótipos. Ela reforça que já está a influenciar o presente e que a sua voz não depende de mediadores.
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