Em 2025 houve uma diminuição de cerca de 6 mil colocados na 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior. O declínio acompanha uma descida da taxa de conclusão do ensino secundário, que caiu de 90,1% em 2023/24 para 79,4% no ano seguinte, segundo o estudo citado pelo gabinete da secretária de Estado do Ensino Superior.
O relatório, que analisa a quebra de entradas no ensino superior para 2025/26, aponta que as mudanças afectaram o universo de candidatos e, por consequência, o número de colocações. A idade média de entrada no ensino superior aproxima-se da idade de conclusão do secundário.
A redução de quase 10% no total de novos inscritos face a 2024, considerando o concurso nacional e outras vias de acesso, revela que a quebra não foi compensada pelas fases subsequentes. O estudo vinca que o fenómeno não se reverteu nas fases seguintes.
Desempenho, tendências e metas
Os números ficaram abaixo dos níveis pré-pandemia, interrompendo uma trajetória de crescimento. O documento questiona o impacto na meta de ter 50% dos adultos entre 25 e 34 anos com diploma de ensino superior até 2030.
A volatilidade nas classificações dos exames nacionais e o aumento do número mínimo de provas de ingresso são apontados como fatores que restringiram o universo elegível. O estudo destaca ainda fragilidades no sistema de ação social e uma redução da população jovem como contributos adicionais.
Fatores de quebra e cenários
Além das alterações no modelo de conclusão do secundário, o estudo sublinha que a exigência de duas provas de ingresso é uma das principais responsáveis pela quebra, representando cerca de 46% da quebra na 1.ª fase de 2025/26, sem ganhos comprovados em desempenho académico.
Entre 2019/20 e 2023/24, as taxas de conclusão melhoraram devido às regras pandémicas, que isentavam a obrigatoriedade de exames nacionais para conclusão de cursos científico-humanísticos. Mesmo assim, o número de colocações na 1.ª fase manteve-se próximo de 50 mil.
Observações finais do estudo
O relatório ressalva que não é possível atribuir sozinha a diminuição da taxa de conclusão ao número mínimo de exames nacionais. A diminuição também se verifica na conclusão de cursos profissionais, que não exigem exames nacionais.
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