A Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC) alertou esta quarta-feira para o fecho de mais duas unidades na região de Lisboa. O anúncio surge numa altura em que a adenda ao compromisso com o setor social para 2026 ainda não refletiu o financiamento necessário.
Segundo José Bourdain, presidente da ANCC, em março fecharam-se duas unidades da região: a União Mutualista — Acreditar, com cerca de 25 camas, e a Casa dos Marcos — Raríssimas, dedicada a cuidados pediátricos para doenças raras.
A ANCC afirma que os encerramentos devem-se a custos de funcionamento superiores aos financiamentos recebidos. O responsável recorda aumentos salariais em janeiro e o custo de vida, sem atualização de preços para o setor.
Em nota enviada à Lusa, a associação denuncia a falha na atualização prevista pela adenda assinada recentemente entre o Estado e o setor social. O primeiro-ministro prometeu uma lei com atualização automática de preços para o setor social, mas não a cumpriu.
A ANCC aponta que os fechos ocorrem numa região já marcada pela carência de vagas, destacando que a área da grande Lisboa e Vale do Tejo é a mais necessitada. A associação refere ainda o impacto do colapso do PRR na construção de camas adicionais.
No final de 2023 e início de 2024, a ANCC já tinha anunciado o encerramento de cerca de 100 camas por subfinanciamento. A adenda da nova medida prevê 440 milhões de euros para creches, lares e centros de dia e noite nos próximos dois anos.
Para as estruturas de apoio aos idosos, a atualização prevista foi de 9,5% para as ERPI e 10% para centros de dia e de noite. Em criação de rede de infância, a atualização é de 6,9% para as creches.
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