D. José Ornelas encerra dois mandatos à frente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) com um legado notável no progressismo do episcopado. Para a próxima presidência, nomes de peso apontam para três figuras em destaque: Virgílio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra, José Cordeiro, arcebispo de Braga, e Rui Valério, patriarca de Lisboa. A eleição deverá ocorrer na segunda sessão da assembleia plenária em curso, onde também se discutem as lideranças das comissões episcopais.
O encontro, que começou hoje, avança com a definição do novo presidente da CEP. O atual vice-presidente, Virgílio do Nascimento Antunes, surge entre os favoritos, tal como o arcebispo de Braga, José Cordeiro, e o patriarca de Lisboa, Rui Valério. Os nomes são citados por fontes próximas à CEP e refletem o equilíbrio entre experiências diocesanas e a visibilidade institucional de cada um.
Candidatos em posição de vantagem
Virgílio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra, tem 64 anos e já exerceu funções como reitor do Santuário de Fátima. Rui Valério, com 62 anos, foi bispo das Forças Armadas antes de assumir a arbitraria de Lisboa, ainda sem o título cardinalício. José Cordeiro, nomeado arcebispo de Braga em 2021, liderou a diocese de Bragança-Maçores e esteve à frente do Pontifício Colégio Português em Roma, não tendo ainda ultrapassado o marco dos 60.
Legado e propostas da era Ornelas
Durante dois mandatos, D. José Ornelas aproximou a CEP de um relatório histórico sobre abusos sexuais na Igreja, apoiando o reconhecimento de mais de quatro mil vítimas ao longo de sete décadas e a implementação de compensações financeiras. No âmbito do processo sinodal, promovidas propostas para uma Igreja mais aberta às mulheres, aos ex-padres e a uma reavaliação do celibato, bem como à possibilidade de ordenação de mulheres, geraram controvérsia entre conservadores.
A atual presidência também esteve associada a críticas sobre políticas de nacionalidade, com Ornelas a questionar uma proposta governamental que previa retirar a nacionalidade a quem fosse condenado com pena efetiva, caso esse crime tivesse ocorrido nos anos seguintes à obtenção da nacionalidade. O tema voltou a ganhar destaque numa entrevista à Ecclesia, a agência da CEP.
Perspetivas para o próximo mandato
O debate centrado nas potenciais nomeações revela a tensão entre reformas estruturais da Igreja e a necessidade de estabilidade institucional. O desfecho da votação na assembleia plenária, agendada para hoje, deverá indicar o próximo presidente da CEP. A indicação dos nomes favoritos não impede que surjam surpresas até ao anúncio oficial.
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