Os trabalhadores da EGEAC Lisboa Cultura convocaram uma greve geral para o dia 24 de abril, para exigir salários dignos, cumprimento do Acordo de Empresa e valorização da cultura pública. A decisão foi anunciada pelo STML, na sequência de um plenário em 23 de março.
O STML informou que a greve teve grande participação e que a reivindicação se baseia num descontentamento de cinco anos em que houve perda de poder de compra. O aumento previsto para este ano, de 56 euros ou 2,15%, é visto como insuficiente.
Para o sindicato, o aumento proposto apenas reproduz orientações da Função Pública, desrespeitando o AE e a autonomia da EGEAC para valorizar os seus profissionais. A oposição ao aumento é ainda agravada pelo custo de vida acima da inflação.
Contexto económico e reivindicações
Os trabalhadores defendem um aumento de 15%, com um mínimo de 150 euros por trabalhador, o que o STML apresenta como sustentável e proporcional. A proposta traduz-se em cerca de 3,4% a 3,5% da massa salarial da empresa e aproximadamente 2,2% do orçamento da EGEAC.
O sindicato aponta ainda que não é apenas uma matéria salarial: há questões de reclassificações, reposicionamentos, horários, formação e medicina do trabalho que permanecem sem solução.
Gestão e transparência
O STML relembra decisões recentes sobre direção de equipamentos culturais, sem informação clara ou comunicação atempada aos trabalhadores. Em particular, os casos do Museu do Aljube e do Teatro do Bairro Alto estão no centro das críticas.
As ações afetam o funcionamento das equipas e a previsibilidade dos projetos e da missão pública da EGEAC, segundo o STML, o que aumenta a instabilidade entre as equipas.
Perspetiva de ações futuras
A greve de 24 de abril surge como resposta coletiva à valorização insuficiente e à perceção de estagnação na empresa municipal. O STML sublinha que a medida visa defender condições de vida e um serviço público de cultura para Lisboa.
Está agendada uma reunião com o conselho de administração da EGEAC para 14 de abril, para tentar obter respostas concretas às reivindicações dos trabalhadores.
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