Quase um ano após o apagão que afetou a Península Ibérica, novas gravações revelam que a Red Eléctrica sabia, três meses antes, de um risco elevado de falha no sistema. As conversas, entre privadas e a operadora, foram divulgadas no Senado espanhol.
Desde janeiro de 2025, técnicos da Red Eléctrica indicavam que o excesso de energia solar e a carência de energia nuclear e de gás podiam comprometer o abastecimento. As informações surgem durante uma investigação parlamentar.
No dia 31 de janeiro, uma oscilação de grande escala na rede espanhola levou a Endesa a avisar a Ascó que os grupos de produção podiam ficar a zero. A RED Eléctrica qualificou o episódio como muito grave e fora do normal.
Desafios da inércia e da geração
Os técnicos sublinharam que a energia solar não oferece inércia suficiente para a regulação do sistema, ao contrário da geração térmica. Sem mais grandes grupos disponíveis, o restante não entrou na resposta à falha.
Apesar da acusação oficial de que a falta de resposta das centrais programadas contribuiu para o apagão, os áudios indicam que a ausência de unidades térmicas e o excesso solar foram determinantes para as oscilações.
A situação também coloca em foco a gestão da matriz energética: a substituição de unidades térmicas por solar, por preços, reduz a capacidade de regulação. Em 28 de abril, a operador programou o menor número de grupos térmicos do ano.
Pormenores técnicos e reação institucional
A lente nuclear contrastou com a posição de Beatriz Corredor, presidente da Red Eléctrica, sobre a segurança da rede e o papel das renováveis. Ela afirmou que a energia nuclear não é necessariamente mais segura para o abastecimento.
A Red Eléctrica manteve que as conversas divulgadas carecem de contexto e não podem ser entendidas como sinais prévios de um incidente. A empresa reiterou a sua posição de neutralidade técnica.
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