O estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto aponta que casos de maus-tratos a pessoas com 65 anos ou mais passam despercebidos pelos centros de saúde. A divulgação ocorreu nesta quarta-feira, com base em respostas de clínicos de várias regiões do Norte de Portugal. A investigação analisa detecção e notificação, destacando limitações no sistema.
Segundo os dados, 94% dos médicos reconhecem a responsabilidade de detectar maus-tratos, mas dois terços não suspeitaram de nenhum caso nos 12 meses anteriores. A pesquisa envolveu mais de 350 clínicos de várias áreas, incluindo o Alto Minho e a Área Metropolitana do Porto.
A disponibilidade de tempo e a falta de protocolos são apontadas como fatores-chave para a fraca deteção. A equipa também concluiu que apenas 36,5% dos médicos sabem como reportar os casos suspeitos, evidenciando falhas no fluxo de notificação.
Desafios na prática clínica
Os autores sublinham a necessidade de formação adicional, tanto para profissionais em formação como para já ativos. A pesquisa recomenda uma maior colaboração com assistentes sociais e a clarificação de critérios de diagnóstico, bem como a implementação de protocolos simples para a notificação.
Entre as causas citadas para a dificuldade estão a ambiguidade de sinais psicológicos, receio de ofender pacientes e temores sobre confidencialidade. Os resultados sugerem que a identificação rápida de sinais de violência pode reduzir riscos de ferimentos e problemas de saúde a longo prazo.
Os investigadores destacam que a violência contra idosos abrange violência física e psicológica, abuso financeiro, negligência e outros abusos potencialmente graves. O estudo intitula-se Reading between the lines e foca na detecção e notificação nos cuidados primários.
Entre na conversa da comunidade