Estar sozinho e sentir solidão não são a mesma coisa. Pesquisadores da Universidade de Cornell identificaram que a percepção do contato social pode influenciar a saúde mais do que a quantidade de pessoas na vida de alguém. O estudo, publicado na JAMA Network Open, aponta que quem se sente mais solitário do que as suas circunstâncias indicavam tem riscos de saúde superiores.
A investigação analisou 7 845 adultos com mais de 50 anos, em Inglaterra, acompanhados em média 13,6 anos. Os investigadores distinguiram entre isolamento social objetivo e solidão subjetiva, referindo uma assimetria entre ambos fatores. Quem manifesta mais solidão do que o esperado apresenta maior mortalidade por todas as causas.
Além disso, quem era socialmente isolado mas não se sentia solitário tornou-se menos propenso a determinados desfechos de saúde, segundo o estudo. Já os participantes que combinavam isolamento com solidão tinham risco acrescido de mortalidade. Os autores destacam que a assimetria social é mensurável e pode orientar intervenções preventivas.
Impactos na saúde
O relatório sublinha que o isolamento e a solidão afetam saúde mental e física, aumentando a probabilidade de doenças cardiovasculares e respiratórias. A Organização Mundial de Saúde aponta que cerca de 16% da população mundial experienciam solidão. O foco passa pela percepção, não apenas pelo tamanho da rede social.
Abordagem médica e social
A OMS indica que cerca de uma em cada cinco consultas primárias aborda problemas não clínicos, como solidão e dificuldades financeiras. Em resposta, cresce a prática de prescrição social, ligando cuidados a atividades comunitárias como caminhadas, voluntariado e clubes de jardinagem. O objetivo é reduzir desigualdades e aliviar pressão sobre os sistemas de saúde.
No Reino Unido, a prescrição social já integra políticas nacionais com mais de um milhão de encaminhamentos anuais. A OMS Europa realça o potencial destas intervenções para tratar determinantes sociais da saúde. A NASP, em risco de março de 2026, torna-se Centro Colaborador da OMS para Políticas de Prescrição Social, apoiando países na implementação de estratégias similares.
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