O Laboratório Associado Terra apresentou o Programa Nacional de Prescrição de Natureza (PNPN 2030), uma política para integrar práticas ligadas à natureza no cuidado de saúde. O plano, desenvolvido por mais de 400 investigadores de cinco unidades das Universidades de Lisboa e Coimbra, visa até 2030 consolidar a prescrição de atividades em ambientes naturais na clínica e na comunidade.
A proposta defende que a prescrição de natureza é custo-eficaz para a saúde pública, apoiando-se em evidência científica. Doentes com doenças crónicas e sofrimento mental devem beneficiar de intervenções que promovam a prevenção e complementem terapias tradicionais, sem substituir tratamentos médicos.
O PNPN 2030 é coordenado pela especialista em saúde ambiental Andreia Costa, com Ana Abreu, cardiologista, a destacar que o rumo atual foca demasiado na doença e não no indivíduo. O documento apresentado resulta de um encontro do Terra Policy Hub, que reuniu cerca de 40 investigadores.
A equipa afirma que o plano se baseia em três modalidades prioritárias: pilotos nos cuidados primários, prescrição social verde em meio urbano e imersões em áreas naturais, incluindo banhos de floresta. A ideia é tratar a natureza como uma “receita” com dose, frequência e intensidade definidas.
A prescrição envolve, por exemplo, momentos de contacto com a natureza que reduzem cortisol, pressão arterial e sintomas de ansiedade, além de melhorar a função cognitiva. Não depende necessariamente de esforço físico intenso, podendo incluir momentos de pausa à sombra de uma árvore.
Os autores sustentam que a implementação exige capacitação dos profissionais de saúde e uma mudança cultural nos modelos de cuidados. O objetivo é articular Saúde, Ambiente e Coesão Territorial, apoiando-se em instrumentos já existentes.
Portugal é apresentado como alinhado com tendências internacionais, citando exemplos de Canadá, Reino Unido, Japão e Nova Zelândia, onde programas semelhantes já funcionam. No Canadá, por exemplo, há milhares de profissionais envolvidos e milhões de prescrições.
Os investigadores destacam ainda ganhos ambientais indiretos, como maior valorização de espaços verdes e impulso a comportamentos pró-ambiente, contribuindo para a conservação da biodiversidade e o restauro ecológico. O PNPN 2030 é visto como oportunidade para tornar os sistemas de saúde mais sustentáveis e eficientes.
A aposta é por um regime de implementação faseada, com avaliação de projectos-piloto e benchmarking internacional. Os autores pedem, no entanto, uma transformação gradual que inclua políticas públicas, formação de profissionais e participação cívica para a gestão sustentável do território.
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