A Anthropic recorre a um tribunal federal em São Francisco para obter uma injunção contra a decisão do governo dos EUA de colocar a empresa na lista negra. A audiência está marcada para terça-feira, com a juíza Rita Lin a presidir o caso. A medida ocorre após o presidente Donald Trump e o secretário da Defesa, Pete Hegseth, anunciarem em fevereiro o corte de relações com a Anthropic devido a restrições ao uso do Claude AI em contextos militares.
O governo classificou a Anthropic como um risco para a segurança nacional na cadeia de abastecimento e ordenou que as agências federais deixem de usar o Claude. O processo revela o embate entre ética, negócios e legalidade na IA, questionando quem define os limites da tecnologia entre empresas com princípios de segurança e autoridades públicas.
Quais argumentos apresenta a Anthropic
A empresa contesta a designação de risco na cadeia de abastecimento, afirmando ser necessária a sua reapreciação sob a lei vigente. O cofundador e CEO, Dario Amodei, disse que a ação continua para contestar a decisão.
A Anthropic argumenta que a lista negra é sem precedentes e ilegal, pois, historicamente, tem sido usada contra adversários estrangeiros e não contra uma empresa norte‑americana por divergências políticas. Outro ponto é a alegação de que a decisão envolve questões da Primeira Emenda.
Quais argumentos apresenta o Departamento de Guerra dos EUA
O Pentágono recorda um contrato de 200 milhões de dólares assinado com a Anthropic em 2025 para integrar a tecnologia em sistemas classificados. Em março, a defesa afirmou temer que a Anthropic tente desativar ou alterar o comportamento do modelo durante operações de combate, se as linhas vermelhas corporativas forem ultrapassadas.
A Anthropic sustenta que essa preocupação não tinha surgido nas negociações e só aparece nos documentos apresentados em tribunal. A juíza Lin deverá decidir se concede ou não a providência cautelar.
Impacto mais amplo
Especialistas em IA, incluindo representantes da OpenAI, Google e Microsoft, manifestaram apoio à Anthropic em tribunais. O Pentágono, por sua vez, tem redirecionado o foco para parcerias com outras empresas de IA, como OpenAI, xAI e Google, na sequência do imbróglio com a Anthropic.
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